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DA SÉRIE DESPIDAS DE TUDO

VESTIDAS DE POESIA ♥ A verve da Poeta paulista VALÉRIA BRASIL CALEGARI
Ápice

Meus instintos gritavam
seu nome
Desejava penetrar na tua pele, por osmose
E saltar pelos teus olhos

E da tua boca beber o espumante mais caro
Com cerejas frescas...

Pela pele, pelo pelo
Pelos sentidos, movidos
Pelo desejo imperava
firmes mãos que palpitavam

Imperativo, altivo
Corpos suados
Abatidos pelo fogo da paixão

E tudo se apagou ao abrir os olhos
Múltiplos, multiplicavam-se
Numa fração de segundos,
extirpava,
O dia amanheceu.



Escuridão

Ardiamos
sob a cama escassez de luz.
Tínhamos o que tínhamos
Dois corpos nus

Buscando, sentindo
experimentando...
Pés, cabeças, bocas
Gozos, sussurros
Mudos
Saciando,
Tateando
Buscando
Em vão...


Poesia Existencialista

Noite de lua cheia em
núpcias solitária,
Uma cama e o luar

Labareda que acende o olhar
Das lembranças que povoam a memória
Uma taça de vinho acompanha
esse brinde nostálgico:

- Eu nua, feito banquete
ofertando-lhe a alma translúcida...
Sacramento de corpos apaixonados

Alma! O que tens tu com isso?
Teus desejos carentes de siso
Romperam-se conceitos
Por acaso tens esse direito?
A vida o dirá ... ela o disse!

DA SÉRIE DESPIDAS DE TUDO


VESTIDAS DE POESIA ♥ As letras da Poeta piauiense LIVIANE MATOS

DESFALECEMOS DE PRAZER...

Sua pele macia roçando no meu corpo quente
Arranhando-me como um felino que domina sua presa
Teu perfume amadeirado mistura-se ao meu cheiro de flor
Tornamos luxúria, nosso amor.
Tua boca colada na minha
Abafando meu gemido
Perco o domínio do meu corpo
Perco os sentidos.
Estou entregue ao desejo
Estou entregue a você
Tu me fita e ali
Desfalecemos de prazer.


[Devora-me]

Servir-me-ei a ti no jantar
Serei teu prato de entrada
O principal
E sobremesa
Devora-me
Esqueça os modos
E se lambuze
Sacia tua fome de amor
Sacia tua sede de prazer
Você tem fome
Eu sou alimento
Devora-me!


[Apaga essa chama]

Vem pra minha cama
e apaga essa chama
que consome meu ser
Deita sobre meu corpo
e sacia esse desejo louco
de me entregar a você
Vem de mansinho
amando-me DE VA GA RI NHO
sem pressa pra terminar
Deixa meu corpo suado
marcado
de tanto me amar
Leva-me ao céu
lambuza-te do meu mel
alimenta-me do teu prazer
E quando saciados
dormiremos colados
repetindo tudo ao amanhecer.


DA SÉRIE DESPIDAS DE TUDO


VESTIDAS DE POESIA ♥ A verve da Poeta goiana CRISTINA MILANNI

PROFANO

Quiçá flor bela formosa, a mais pura de Samira,
Cuja fragrância exala por campos em suave Mirra.
A mais adorada exótica flor, pura e febril;
Com pétalas em orvalho em gotas de Luxúria.

Cintila no pomar dos meus desejos,
Carrego-te no peito como possessão diabólica.
Expurgo-me do pecado em seus beijos;
Não me condene ao holocausto do Inferno.

Antes de Flor... Eu fui um anjo;
Com as asas resplandecia um amor Inglório.
Nos seus braços de pecado, fogo eu abranjo.

Não vivo mais... Nem no céu e nem no inferno,
Uma imaculada, dantes flor e doce anjo;
Hoje, uma brisa fina, dum toque frio e eterno.


"Condenada”

Essa minha carne podre decomposta;
Onde vermes famintos a devoram.
Retornasse ao pó... sua final matéria;
Livre da angústia e tormenta imposta.
--
Sendo que num cuspe sobre a terra,
Barro feito, uma cegueira foi curada;
Eu, estava Morta numa tumba eirada.
Não fui Lázaro chamado entre os Mortos. 
--
Lá estava sendo por larvas devorada;
De pecado em pecado fui julgada...
Há Nenhum galardão foi me Dádiva.
--
Sobre que a Vida tenra fui jogada,
Subjugada por viver escárnio e heresia;
Diante da face o veredicto: Condenada.


Desbotada

Talvez eu afague a minha própria morte 
Cansada de passar pela vida desbotada
Feito uma Aquarela em preto e branco 
Sou a lírica Nua, duma alma sem sorte

Descalça andando entre espinhos 
Vago em penumbras dum verso esquecido 
Sem Norte ou Sul... sem Sonhos... 
Sou uma estranha fora do seu ninho

Sob os olhos de quem não me enxerga 
Num abraço de quem nunca me alcança 
Esquecida ou nem sequer lembrada

Morrendo aos poucos dentro dos Sonhos 
Vago entre fantasias e realidades 
No despertar do sono... me transponho





DA SÉRIE DESPIDAS DE TUDO


VESTIDAS DE POESIA ♥ A verve da Poeta mineira Tríccia Araújo
Banho

a tua língua
adoça a pele
e no vai e vem
das cordilheiras
encontra repouso
na planície
úmida central.

***

Sedução

se faço pose,
meu bem,
é só pra te provocar.

ângulo de 90°
(geometria da perdição)
inclinação perfeita
para o teu prazer.

***

Entrega

Esse desejo, delicada ira,
violenta a razão.
Perco o chão e me encontro contigo
entre uma nuvem e outra do céu de tua boca.
E meu corpo vai se abrindo, pétala por pétala,
perfumando as tuas mãos
numa doce entrega.

Ofereço-te a minha carne morna,
minhas densidades e precipícios,
enquanto marejam em mim
ânsias de bem querer.

Rebento como onda no teu peito,
meu porto seguro, meu maior ensejo.
Renasço no teu abraço e, só por isso,
imploro por teu corpo, templo sagrado do meu amor,
princípio e fim da minha essência de mulher. 

DA SÉRIE DESPIDAS DE TUDO


VESTIDAS DE POESIA ♥ A poesia de MARCIA CASTILHO
Cantando na rua

A noite se fez senhora
Trazendo calmaria
Serenando corações
Acalmando as horas
Evocando sensações
A lua me chama
Salto faceira e dengosa
A rua me espera
Percorro ruas avenidas
Pulo muros
Atravesso encruzilhadas
Perambulo sem destino
Sem pressa de chegar
O céu é o limite
O telhado meu lugar
Canto felino
Namoro às estrelas
Canto forte
Canto sentido
Canto para o infinito
O meu canto de acasalar


Cantada

De cabelos molhados
Lindo
De cabelos secos
Lindo

Pessoa linda
Linda pessoa

Homem
Pernas, peito, ombros
Homem, pessoa

Lindo
Respiração, língua, mente
Mente, língua, vulcão
Desordenadamente

Desordena a mente
Arrepia pelos e pele
Pele, pelos pelos arrepia

Pelos pelos
Arrepia a pele
Saliva inunda a boca
Qual é o seu sabor?


Dádiva

A beleza adormece
Refletida no marfim
Corpo alvo e branco
Pedra lisa
Fria, pálida
Sentidos dormem
Vida passa
A paixão sopra calma
Acaricia sentimentos
Em desertos de alma
Desperta corpos sonâmbulos
Sua presença
Traduzida em homem
Vivo e quente
Flameja e aquece
Corpos dormentes
Que se fundem
Corações batem
Cabeças se desnorteiam
Corpos vibram e pulsam
Com amor se presenteiam




DA SÉRIE DESPIDAS DE TUDO

VESTIDAS DE POESIAA verve da Poeta Dhenova

Quando calo
  
Atirada ao espaço
solta dos galhos
em raivosa lufada
céu escurecido
vermelhos os raios
pressinto o perigo
bato no chão
e grito

Enrolada na areia
perco a direção
cada grão incendeia
picada de abelha
e maré cheia
verde corpo no mar
vou na contramão
batizo sentidos
e grito

Mergulho no gelo
marcada por dentes
carrego nas mãos
poesia demente, rasgada
esvazio as quadras
clichês e rimas
esqueço das mágoas
das guerras e fadas
quando calo em mim
o mesmo grito.



Dos buracos e falhas

asfalto esburacado
cinza esverdeado
iluminação parca
estrada longa
íntimo à margem

e os carros passam...

inventei três vezes
a mesma mentira
envolvi meu eu
de forma desmedida
busquei alívio
emoção dividida
equacionei a fórmula
e fui vencida

foram-se os quilômetros
sentimentos frágeis
amanheceres sem bônus
o sol nascendo metade
eu, tão sem dono
engolindo mares e mares

enredaram-se dias, noites
tão fugazes...

dos buracos e falhas
aprendi com a vida
o que não acaba
nem sempre
vira ferida.



Arco-Íris no Inferno

Nos olhos do diabo
eu gozei
com estardalhaço
gritei
inerte nos braços
vaguei
presa ao laço
ah, eu fiquei

queimada em ardores
permaneci
morri à míngua
eu me perdi

entre os mortos
odiei
em cada passada
ah, eu paguei

açoite de cores
não esperava
azul escuro
verde ou mostarda

sorri ao muro
e virei piada



DA SÉRIE DESPIDAS DE TUDO


VESTIDAS DE POESIA ♥ A verve da Poeta mineira VANIA LOPEZ
PROMESSA

na ponta dos pés
roço seu cabelo
encosto sua alma na parede
deslizo seus olhos nos meus
te encontro naquele beijo
aquele que prometi
desde hoje cedo.


PURA MALDADE

antes de ir olho mais uma vez
o vestido causa vertigem
treino o olhar
até vestir mais que a roupa
ensaio um trejeito do corpo
um sorriso nu
um olhar que cai em seguida a alça
espalho o perfume pelo corpo
entre os cabelos
controlo o mistério
o tom da pele é perfeito
truque da meia
brincos, anel e uma carteira
o batom tem um tom que dói
em contraste com a luz
salto agulha
um pingente no tornozelo
e saio
de pura maldade.


PRECE DE PERFUME

entorte minha alma com gestos geométricos
multiplique o fel, os sentidos, as facas.
oferte-me o beijo de Judas até a face perder a inocência
escreva temporariamente coisas de falar...

depois queime metade grego, metade egípcio.
à meia voz, minta como toda boca faz.
com suavidade estudada
desorganize meus nervos, povoe o sangue.

mude o verbo de lugar, separe-o do sujeito.
com uma vírgula alva para não viciar a palavra
apreenda o afago das linhas
que em noites sem cor atravessam o papel

empunhe uma fé, pelo fogo, pelo ar, pelo mar.
enquanto lapido abismos
com o quê os canivetes suíços ensinam

prepare o prato para tua poesia que pede roubo,
garganta inundada de lembranças.
declama a fina ameaça de fazer vento aos jardins
como se fosse prece, desenho de perfume.


DA SÉRIE DESPIDAS DE TUDO


VESTIDAS DE POESIA ♥ A poesia da Poeta potiguar ADÉLIA COSTA
BÁLSAMO

Na hora da febre
Delírio e calor
Queria você comigo
Expurgando minha dor

Meu corpo frágil pede
Vem encher-me de carinho
Sou uma mulher querendo
Teus beijos,
Teu corpo
Teu mimo

Porque faz parte do delírio
Assim como de um bom idílio
Do outro também cuidar
Tirar-lhe de suas queixas
Mesmo estando em outro lugar.


IDÍLIO
      
De manhã cedo
Quero teu cio
teu cheiro, teu ato

acordar-te bem de mansinho
Beijinhos
ver-te rijo, amassos...

depois de entregue inteiro
ser eclipse,
Encontro de almas, abraços.


TRIO
      
Vem,
Deixas-me preencher brechas
Ser bálsamo da tua dor
Enquanto teu coração cura
Aquece-me com teu calor
Seremos triângulo sem bermuda
Eu, você e o amor!



ÚLTIMA VEZ

Se eu pudesse apagar lembranças
Te reencontraria pela última vez
Revisitxaria teus intensos beijos
Teus afagos, teu corpo e dança
E todos movimentos teus
Intensos a despentear
A fera que rosna manhosa
Com a sua libido a me amar.

Olharia a cor de tua tez
Teus olhos, tua boca e tudo
Fitaria teus doces grunhidos
Gemendo em alarido,
Em verso, em meu corpo a molhar
Ali, enfim, eu te olharia profundo
Depois, partiria ligeiro
Esquecenria teu mundo
Iria para nunca mais voltar
Te jogaria no mormaço do mundo
No esquecimento...
No fundo do mar.



INTERAÇÃO

Lamber o teu corpo
Sentir o teu cio
Tira-me do vazio.

DA SÉRIE DESPIDAS DE TUDO

VESTIDAS DE POESIA ♥ A POESIA DE AMANDA VITAL
Onisíaco

as línguas de Baco
falo além do álcool

sorvo gole por gole
da borda até o mastro

meio a parreiras e vinhas
escorre puro vinho branco
dos lábios de sua ninfa

sua uva rubi denuncia
bem na ponta do cacho
balança tonta aos ventos

já ébria do fruto do gozo
revela aos poucos a polpa

na casca pintada de roxo

até que se mostra inteira
a maior bênção de Baco
faz morada na videira.

DA SÉRIE DESPIDAS DE TUDO


 ♥ VESTIDAS DE POESIA • A POESIA DE LILLY ARAÚJO

IMPERATIVO

Em meio a tantas frases imperativas que eu quis gritar,
sussurrei-te apenas essa:
— Entranha-me!

PRIMEIRA VEZ NA TUA LÍNGUA

O mar me lambeu hoje
com a intrepidez daquele que sabe o que quer,
e o discernimento de oferecer
o que mais deseja uma mulher.

Lambeu-me entre as pernas,
num súbito atrevimento desejado,
mas não antes de olhos nos olhos
e um beijo profundo,
e promessas de um hoje terno e absurdo.

O mar lambeu-me entre as pernas,
e eu gozei ostras sem pérolas,
porque agora não havia sofrimento.
Não nesse exato momento.

HORIZONTAL

Tento prender os meus dedos nas coisas que me alcançam,
engastalho os olhos em tudo que desfila colorido
em minha frente, pra disfarçar o preto e branco
da minha tinta que já se acabou.
Fecho o nariz para não sentir o odor de fruta vencida
que exala de minhas virilhas esquecidas,
sem um paladar há tanto tempo; sem ruídos;
sem horizontal; sem contorcionismos...
Eu me vou por aí apenas indo,
tentando prender os meus dedos nas coisas que me alcançam,
inutilmente.

IGNIS FATUUS

Fogo-fátuo,
reflexo azul no lago,
chama ardente.
O Falo.
E na mudez incisiva
do teu toque fálico
calo.


DA SÉRIE DESPIDAS DE TUDO


VESTIDAS DE POESIA ♥ A verve da Poeta NASSARY LEE BAHAR
Pau pra toda obra 

Era um gozador assumido
Sofria de uma luxúria incontida
Desnudava com os olhos as damas nas ruas
Desejava que todas fossem suas
Não havia no mundo amante que lhe saciasse o fogo
Se brincar, dispensava conversa, abraço, sorriso
Só podia viver com o corpo em febre
Só podia viver com o falo em riste... teso... rijo...
Na altura de ferver libido e borbulhar nas pernas alheias
A maior vontade era viver assim eternamente fraco
O mosto derramado, o vigor perdido
Não podia se ver molhado ao sair do banho
Não podia repousar sem culpa de polução
Nunca deu descanso à pobre mão
Virou escravo do seu langor
Não podia deitar sem se contaminar com as imagens do dia
Era um desassossegado, rolava na cama, não dormia
Não queria fazer do amor um vício, mas vivia no cio
Não podia dançar colado a dois
Evitava os espelhos, as calças justas e as juras
Não tinha paz de sentir a lascívia do simples
Era voraz na volúpia de qualquer pensamento
Sua pele pubescente, sensível ao próprio vento
Não deixava passar nada pra depois
Que já caía de pau matando
E já se imaginava com seus quartos presos nas ancas
O cavalo montado, o comando na coma
A veia saltando do pescoço, as costelas bailarinas
O fôlego curto, regrado, as noites pequenas
Sua existência era mesmo fecunda de prazer
Absurda, a sua tara
Vivia sempre pronto, em ponto de bala.


Soneto Tântrico

Gostava de ser amada como quem põe a mão na chama
Com as pernas enlaçadas no ritmo de um devaneio
Os cabelos libertos, estendidos, uma imensa trama
O eşarp de leopardo ao colo quente de um cálice cheio

Acendia velas e versos no decoro ao pé da cama
E adoecia - docemente - com os lábios suicidas à beira do seio
Seus grandes olhos negros, fecundos, fundo abismo ao corpo que inflama
Fechavam-se aos espasmos cerzidos no ardor do seu meio

Mas abriam-se a todos os portais de prazer no milímetro de cada detalhe
A vontade mais secreta, desvendada e devolvida
Na côrte dos tecidos da pele, pincelada pelas notas de "Animale"

O fogo aumentado; o mel regado; a flor colhida
A longa dança das horas no resto de aurora: o grand finale
Era assim bem devagar que destilava o sentir em cada medida.


Gozo poético*

Quanto mais do negro a noite chama,
por pura lembrança, o meu corpo declara e reclama
A fama que faz...
quando tu, em mim, se derrama.

*Prêmio de poesia Américo de Oliveira Costa (Edufrn, 2015).

DA SÉRIE DESPIDAS DE TUDO


VESTIDAS DE POESIA ♥ A verve sensual de CLAIRE FELIZ REGINA
A RECEITA DE BOLO
-
Meu vizinho queria fazer um bolo,
me pediu a receita.
Eu não tinha a receita,
mas eu tinha vinte anos!
Fui ajudar...
Não tinha farinha para ele amassar
com as mãos,
ofereci meu corpo
e ele amassou.
Não tenho açúcar, ele me disse,
ofereci meus lábios
e ele beijou.
Ele era bom cozinheiro,
pôs o leite para ferver,
o leite fervia no meu corpo inteiro.
Nós dois queríamos fazer o bolo,
mas...e a receita?
Ele abriu o caderno,
estava escrito,
me ama.
Não fomos mais para a cozinha
fomos para a cama.


A MULHER OBJETO

Primeira parte:
O que será que a agulha sente
quando passam a linha por ela,
será que ela sente dor?

Será que ela sente prazer?
Ninguém se preocupa em saber.
Eu sou como a agulha.

E quando a linha está passando,
eu finjo que estou gostando,
faz parte do meu trabalho.
É assim que pensam os insanos,

Estou casada há muitos anos.
Uma mulher como eu,
sempre mente.
Mente o que não sente,
mas sente muito o que mente.

Assim como a agulha,
eu costuro, lavo e passo.
E às vezes, até me entusiasmo,
mas meu marido nunca pergunta
se eu já cheguei ao orgasmo.

Ele me deixa no agulheiro.
Só trabalho quando ele quer.
E ele ainda me diz:
É para isso que serve a mulher.

Vou sair desse agulheiro,
procurar no mundo inteiro
o homem certo para mim.
Sem essa de meu marido,
sem essa de minha mulher.
Agora, no buraco da minha agulha,
só vai passar a linha,
o homem que eu quiser.


AMOR DE POETA

O amor,
quando cantado pelos poetas,
tão ardente,
parece por eles
ter sido inventado.
Mas já disse ao contrário
um profeta:
Se não fora o amor,
jamais haveria um poeta.