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DA SÉRIE POEMAS DE OURO


As letras do Poeta potiguar ROBERTO NOIR
HIPNOSE NOTURNA

A névoa que a tudo oculta
Ela não deveria estar aqui
O fascínio que ela exerce é demais
Hipnose noturna

A lua além do quarto crescente
Some entre as nuvens e a névoa
Qual é qual? Já não sei mais
Hipnose noturna

O frio é acolhedor
O frio é o manto da noite
Mais acolhedor do que o do sol
Hipnose noturna

O efeito é barroco
Porém os tempos são modernos
O frio refresca a já gélida alma
Hipnose noturna

Apreensão mescla-se com o prazer
Alguém por perto observando...
Efeito colateral ou realidade?
Hipnose noturna

Corujas, grilos, gatos, cães
Componentes de uma orquestra sombria
Cujo único ouvinte vos fala
Hipnose noturna

Não consigo mais ver o horizonte
Será que a lua já se foi
Ou permanece ofuscada e angustiada?
Hipnose noturna

Ela teve sua cena roubada
Durante o seu monólogo
Já não basta ser ofuscada pelo dia?
Hipnose noturna

Estrelas! Já não lhes vejo
Queria dialogar com vós
Antes de ser levado pela música de Hipnos
Angústia noturna

Mais alguém para ver-te, noite?
Não, esse pertence ao dia
Deixe-o para lá
Indiferença noturna

Dai-me teu adeus, lua!
Ainda bem que a névoa intensa
Apiedou-se de mim e libertou-lhe
Misericórdia noturna

Agora ela ameaça com a chuva
Já que não submeti-me à canção
Oh! A batalha começo a perder!
Desistência noturna

Então que assim seja!
Adeus, estrelas, noite, lua, névoa!
Que outras madrugadas como esta venham!
Despedida noturna.


COMPAIXÃO MELANCÓLICA


No meu sono profundo e perturbado
Vejo-lhes a carregar cruzes pesadas
Pobres almas de feições desesperadas
Cada uma com seu próprio fardo!

Abracem-me! Esqueçam a distância!
Quero sentir o vosso desespero
Por favor deixai-me absorvê-lo
Em toda a sua conturbada essência!

“Não podemos!”, respondem em uníssono
“Nosso quinhão não pode ser largado
Agradecemos a ajuda, ser atormentado!”
Então acordo do meu triste sono!

Maldito seja o sentimento de inutilidade!
O que posso eu fazer? Não sei!
Descobri o fardo que carregarei
Durante toda uma hipotética eternidade!


(EPI)DERME

O toque traz paz
O toque traz suplício

O toque é antídoto
O toque é veneno

O toque é panaceia
O toque é doença

O toque é real
O toque é alucinação

O toque alivia
O toque incomoda

... mas afinal, o que é o toque?...


O JARDIM SECRETO DE AMÉLIA

Solitária, uma rosa rubro-negra desabrocha
Em um vergel situado nos confins do nada
Para completar seu aspecto tricolor
Pela luz do plenilúnio é iluminada

Na escuridão ela não mais se encontra
O níveo luar não a abandonará
Porém esta rosa não pode ser vista
Já que ninguém a encontrará

Ser algum poderá ver a serenidade
Do rosto da donzela que a vigia
A frágil dona deste peculiar jardim
Jamais conduzirá alguém até lá como guia

Entretanto isso não será necessário
Este jardim não proporciona nenhum prazer
A rosa é bela todavia enjoa-se dela
E ninguém por muito tempo a quer

Neste solo que há tempos fora profanado
Não há mais resquícios da maldade alheia
Muitos não sabem, mas esta rosácea nasceu
Duma semente de bondade fertilizada pela lua cheia!

Não é necessário saber a origem
Deste doce e suave perfume delicado
Basta apenas que pouquíssimos dele se encantem
Que por um ínfimo tempo possa ser apreciado!

O vento noturno sopra delicadamente
Fazendo a rosácea dançar a valsa da solidão
A donzela emociona-se ao apreciar o espetáculo
Realizado em um teatro de finita vastidão

E nesse local ela ainda permanece
Suas pétalas delicadas tremulando fragilmente
Sob o olhar da meiga e sorridente donzela
Que dela prometeu cuidar eternamente.

DA SÉRIE POEMAS DE OURO

A verve do potiguar PAULO CALDAS NETO

I. 
Disfarcei marcas de mim
nas notas de um realejo,
no gosto daquele alfenim,
na infância que ainda vejo.
  
II.
  
Ó madrugada cigana!,
Que tanta ternura embala,
Apaga-me a dor insana
Que o peito viril exala.

***

EULÁLIA II (Sonetos-série)
  
Verso-umbilical esteve com ela agora.
Aliás, quem disse que já a abandonara?
Eulália fez seu destino azul afora,
vivenciando a ludicidade rara
  
nos contos que a benfeitora avó contara;
na fantasia, nas tramas, Teodora
estimulava-a no calor da alta hora,
com a contação que a leitora assim explora.
  
Vai entendendo a menina um lado de si mesma
ainda não tão evidente e, por isso, levita
a cada rabisco que preenche a resma,
  
que manuseia com ágeis mãos, e evita,
dulcificante, o divagar alheio, pois milita
e põe fim à estupidez dos sábios do presente.

DA SÉRIE POEMAS DE OURO


A verve do Poeta e jornalista RAIMUNDO LONATO

Parábola

Nesta manhã, perto do espelho,
abri a alma e me levantei.
Disse para mim mesmo:
 as mãos são campos verdes
vagarosas, pintam o arco-íris,
apagam enganos no pouso
imponderável das borboletas
nas tuas costas.

Ilude-me o corpo 
nas águas em tormentas.
Nas superfícies da vida
amanhecem novos ciclos.
Passam rios nos ares
dos meus olhos.
Qual o peso do mundo
na parábola que se curvou?
Inverto o céu e seus sinais.
Viver é agora.
Que ouviremos
um poema amanhã?


Amor no areal

Não esqueço do amor
que um dia adormeceu
em castelos construídos
no areal.


Das torres e castelos

Ouvimos palavras gravadas
nas pedras e versos calados
nos desertos da alma.
São complexos os tratados
e as verdades profanas  
jamais interpretadas.

(há momentos sagrados
na alma que vaga entre
torres e altares).

despeço-me das ilusões
e dos laços nos vestidos.

não sou mais a menina
boba que vive à espera
do príncipe das canções.

(sopra o vento rosários
 e lamentos).

não adoçam teus lábios
a sola dos meus pés...
a alma inteira chora
toda aberta no chão.

desliza na pele as águas
que lavam vontades
adormecidas no silêncio.


Serenidade

Além das asas há serenidade nos olhos,
a sabedoria nas mãos que trabalham
 a poesia  nossa de cada dia .
Há melodias... Pianos flutuam...
Caem notas, aconchegam- se
no vento, doam-se às estações
todo amor do mundo.
Não há surpresas nos sentimentos
 de paz e no conhecimento
de um poema que  brota no chão.



Mais de Raimundo Lonato • Raimundo Lonato é nordestino de Soledade-PB. Está radicado na cidade de Paulínia desde o ano de 1975. É Escritor, poeta, jornalista, ator e diretor de teatro. Escreve 18 livros nos gêneros poesia, infantil e juvenil e livro-reportagem. É animador cultural e participa de saraus realizados em várias regiões do país.


DA SÉRIE POEMAS DE OURO


A verve do Poeta potiguar SANDEMBERG OLIVEIRA
Sou verso

Se soubesse fazer sol,
Estaria todas as manhãs
A bater na janela de teu quarto.
Sem pedir licença, entraria.
Abraçaria teu corpo e te aqueceria
Com meu calor.

Se soubesse fazer a chuva,
Pegaria em tuas mãos e dançaria
Sob seus pingos constantes.
Pularia nas poças d’agua,
Esqueceria que sou adulto,
Voltaria a minha infância
A brincar de ser criança.

Mas se e somente se, como não sei
Fazer sol nem chuva,
Faço poesia e escrevo versos sob o sol,
Declamo versos sob a chuva,
Conclamo a poesia em prosa,
Seja soneto ou trova.

A poesia é uma noiva feliz,
Pois sabe que é amada.
Se o que sei fazer é poesia,
Recito com alegria
Minha poesia amada.


Pele

Ardor, inquietude, amor...
Como asas de um Ícaro só,
Na liberdade dos amantes 
No beijo doce, fulgor...
Envolve-me,
Encanta-me,
Tira-me,
Faz-me,
E me tens...
Toca-me e, enfim, me traz...
Toma-me,
Enlaça-te,
E me envolve...
Suspiros,
Fúrias,
Fogo,
Brasa,
Espasmo,
Sagaz,
Prazer,
Encanto...
O que sinto?
Amor.


IMITAÇÃO DA VIDA

Tudo era construção
Figurinos, cenários, ensaios, emoção.
Imitávamos a vida como o contornar de um desenho
Que se cria, se emolda, se forma, se pinta
E os tons são dados a partir da sensibilidade
Do envolvimento entre o riso e o prazer de ser
O único momento, o único dia
As emoções se entrelaçam, nos envolve
Quando todos somos um, num único tom
Um espetáculo, sob o som dos aplausos
Da satisfação, da emoção e do ápice
Um momento extremo de nós mesmos
O tilintar das luzes denunciam a retratação
Paralisando o tempo, o agora, para o sempre
Esse, o único momento em que se pode parar o tempo
Porque o tempo não para, o mundo não para
Só o espetáculo da vida para
Os aplausos param
As emoções param
As sensações param
Eu paro
Você para
Fim do espetáculo
Todos se despedem
Ficam as lembranças
Os momentos
Os figurinos pelo chão
Quando, na realidade, era pura imitação
Apanho os figurinos
Guardo-os na emoção de sua representatividade
No sentido da arte pela arte
Porque o espetáculo parou
Resta-nos a denotação
Viver cada dia
Como se fosse o último.
Assim eu vivo
Meus dias
Minhas emoções
Pura representação da arte
Na imitação da vida
Posto que não é a mim que aplaudem
Mas a arte que faço
Não sou artista
Sou amante da arte em sua essência
O palhaço que chora
O drama que rir
O trágico que declama
O poeta de mim.


Alamedas

Enquanto caminhava pelas alamedas de meus ébanos
Acompanhava-me uma sombra, numa veste de silhueta,
Gesticulava de vez em quando e em passos descompassados
Grande de mim, fora de mim.
Sumia por vezes e por vezes se mostrava.
Sem face, sem medo, sem dor, sem nada.
A mim não era, posto que não via minhas lágrimas,
Meus rios de angústias, minhas náuseas.
Lúgubre de mim, absorto sem fim,
Trajando vestes negras, não me olhas,
Renegas-me e mostra-me o que não sou em verdade,
Enquanto recolho os pedaços de meu coração
Espalhados pelo chão de penumbras,
Somes e não mais te vejo.
E quando diante de mim, ainda estou só,
Como sempre fui e sempre serei, só
Numa necessidade compulsiva de ser; palavras
A preencher meus devaneios
A dar-me um rumo,
Nessa alameda de ébanos sombrios.
Tomo de um fio de seda extraído de um ser metamórfico.
Junto meus destroços e ponho-me a cosê-los,
Por fim, tomou forma, na representação de Eros,
Contudo, ficaram os pés pontos dessas mãos artesã,
Que transformam e que recriam
Mas que nunca entenderão as alamedas do meu coração.


Entre mundos

Faz um silêncio,
O dia num acalanto inerte de todos.
Uma brisa me toca a pele,
Tem cheiro de solidão, de momentos...
São meus e teus pensamentos,
Tudo e nada ao mesmo tempo.
Angústia, medo, torpor.
Cheiro de teus abraços,
Gosto por tua voz.
Uma melancolia sutil, mas triste!
É claro e está escuro.
A chuva cai lentamente,
Na mesma velocidade que minhas lágrimas por ti.
Choro a solidão de tua ausência,
Brado a vaguidão de tua presença,
Meus ais, meus eus, meus sós...
Meu tudo, meu nada, meu Deus!
E eu sofro!
O passado é como tinta sobre a água...
A tua face não mais se toca, nem se sente,
Mas se ver.
Feito névoa te sinto,
Como silhuetas sobre as pequenas ondas
Navega teu corpo.
Então partes...
Para além de meus abraços!
E deixa-me na solidão desse porto!


SUBMUNDO

Esta noite enquanto dormia,
Em sonho vaguei por um lugar jamais visto,
Distante no tempo de meu presente acordado,
Sombrio e escuro, tênue e macabro.
Talvez porque fosse noite,
Ninguém eu via,
Nem sombra, nem luz.
Apenas minha alma vazia.
Andei sem saber para onde, nem por onde.
Não conseguia me encontrar, nem encontrar...
Quem? O quê?
Sequer sabia se era sonho ou se era real.
Percebi que a escuridão sumia,
Que as trevas sucumbiam, mas continuava a caminhar,
Apenas acordei, porque amanhecia,
Não sei de que dia...



DA SÉRIE POEMAS DE OURO

A verve do Poeta potiguar CLAUDIO WAGNER


TESTAMENTO

Escrito com Sangue
Abreviou seu nome
Num testamento de despedidas.
Não houve lágrimas
De nenhum familiar
Em sua partida.
Mas, todos querem
Repartir sem abreviar
Tudo que na breve vida
Ela conseguiu acumular.
Escrito com Sangue:
“Deixo  no testamento aos meus netos
As dores de uma ganância abreviada”.



O perfume do teu corpo embala minha fantasia.
O teu nome, Ozany Gomes, é pura poesia.


Uma noite
Um poema ao avesso
Um copo de cerveja
Uma pessoa que não conheço
Uma vida versando e reversando
E ser, quem sabe, feliz.


MÉNAGE À TROIS

Quem não atingiu o ápice
Nas terminações neuronais das palavras
Sussurradas de trânsitos e trâmites
Não acoplou ao bonde dos desejos
Amor! Três pássaros em gaiolas de vidro
Prazer a Três, mas quarto sentido.


PEN
Segue a caneta dos sentimentos
Regulada pela instabilidade das marés
A cada nova redescoberta de sentidos
Para frases soltas em papéis de ventos.

Não é o amor a casa das incertezas?
Não é o agora a saudade de tanto ontem?
Paro, penso, repenso e volto a pensar, pesar.
Os pêsames ao patético final (ferragens) do
meu linguajar.

Rogo o dia que  materialize
o que está pintado na tela gigantesca do universo
uno (una) todas as hidrogenias que se multiplicam
EM-NÃO-SER. Segue a caneta dos sentimentos
regulada pela instabilidade das marés.


Ei! Moça, tu és Poeta?
Poeta, Moça não sou.
Mas, conheço a Ana Rosa
Poetisa buquê de flor
Que com seu jeito faceiro,
de sorriso verdadeiro,
Com seus versos doces matreiros
Minha vida ressuscitou.



EU NARCISO
Às vezes gosto de mim,
Outras vezes me detesto,
Ou tenho medo da parte minha que não conheço
E, às vezes, me abraço na madrugada,
Lembro-me de amigos e amigas que tenho,
Pessoas que amo,
De um ou dois desafetos, e choro!
O espetáculo da vida não é feito só de sorrisos.




DA SÉRIE POEMAS DE OURO


Sete poemas do Poeta cearense HITALO DOURADO 
DOMINGO

Acordo acarinhado
pelas mãos do sopro
da ausência ao lado,
marcas envoltas no
macio travesseiro.

Um fio de cabelo,
vejo, e entro
em recordações.
Toques delicados.

Risos e suspiros
no céu dos olhos,
inúmeras cenas
perdidas comigo.

Domingo normal
saudoso acerca
em reler tantos
momentos
largados em gavetas.

TORTURA

Penduro teu rosto
nas recordações
e contemplativo
fico, sem resistir.

Ouço tudo isso.

Estico as mãos,
mas, não tocam.
As forças da solidão,
Só, Penosamente.

Desolado... Desolado...

Transcorrem horas
e mais horas, alheio.
Preso em demoras.
Mundo dos esquecidos.

ASSOMBRAÇÃO

(É noite, tuas lembranças acordam em mim)

Tuas mãos de névoa
assassinas e vaporosas
invadem as memórias
e forte me acorrentam.

Tua boCa de beijos frios,
gélidos como a Sibéria
sussurrados sem amor
ferem dos meus sonHos
a vida das veias e artérias.

O teu corpo são os rios
a afogar a pobre mente
destas mãos que "consola-se"
descrevendo o Diabo rente
que Escraviza esta vida.

DEVANEIO HABITUAL

Eu deveria atraí-lo
galantemente.
Seduzí-lo á minha casa
apropriadamente.
E quando CHegasse o
sufocaria as vias aéreas,
prensaria sua garganta.

(Disse eu de fronte ao espelho)

MASTURBAÇÃO

Senti pulsar as veias
em energias, tensões
ao íntimo, explosões
com potência de mil bombas.

Tremulou toda a carne...
Sobe e desce das mãos
esfomeadamente
mil sensações.

Quando o ápice toquei
senti voar pelos espaços
como plumas na plenitude
soltas, as mãos, os passos.

Não mais que isso.

As últimas palavras foram tuas,
Não mais que isso...
Não mais que isso...
Suporto que vá,
Não mais que isso...
Não mais que isso...
Estas mãos hesitam para que fique,
Não mais que isso...
Não mais que isso...
Deixou palavras e machucados,
Não mais que isso...
Não mais que isso...
Não amaldiçoarei os dias amados,
Não mais que isso...
Não mais que isso...
No pranto, eternizo-me em cinzas,
Então foi isso...
Que restou disso...

DUELLUN

Meu rosto de frente ao teu.
(Vamos perdoar um ao outro)
Teu corpo perto do meu.
(Eu quero te tocar de novo)
Do fundo dos olhos e salta.
(Vamos perdoar um ao outro)
Entre falas banais, risos embaraçosos.
(Vamos perdoar um ao outro)
Um vira-se e sai.
(Nós dois somos os pedaços do fim)
Os olhos gritam para o outro.
"Vamos voltar um pro outro"


MINIBIOGRAFIA

A poesia é Confessar-se dizia Friedrich Klopstock, diante disso sempre fui apaixonado pelos sentimentos escritos e todas as vezes que componho um é como confessar-se. Sou de Sobral-ce, tenho 21, sou estudante de Filosofia.