reinventando os caminhos do poetrix - Por JOSÉ DE CASTRO

Creio que a maioria das pessoas
concordará com quem afirma que o brasileiro é criativo. Afinal de contas, ele consegue
sobreviver num país de altos contrastes, com uma pirâmide social excludente,
altas taxas de desemprego, salários degradados. Mas não é objetivo deste artigo
tratar desse tema. Mas evidenciar que essa mesma criatividade demonstrada na
lida da vida também se expressa muito bem na literatura quando, então, dá show
de bola, aliás, de palavra. Como Machado de Assis, Osman Lins, Euclides da Cunha, José Lins do Rego, Rachel
de Queiroz, Clarice Lispector, Ariano Suassuna, Câmara Cascudo e, mais
modernamente, Bartolomeu Campos de Queirós, Mário Quintana e João Ubaldo
Ribeiro, dentre tantos e tantas. Temos o
privilégio de ler obras como “Grande
Sertão: veredas” de Guimarães Rosa, que nos leva a percorrer os caminhos
das Gerais num caudal narrativo que abre trilhas para tantos outros que também
vieram a ser criadores da boa literatura brasileira. Na poesia, podemos citar Bandeira, Drummond,
Quintana, Bilac, Castro Alves, Cecília Meireles, Vinicius de Morais, Ferreira Gullar.
Sem nos esquecer da genialidade de um Leminski e dos versos pantaneiros do
menino passarinho e árvore Manoel de Barros. E lembrar autores como Jorge
Fernandes, José Bezerra Gomes, Auta de Souza, Zila Mamede, Luís Carlos
Guimarães, dessas terras de Poti, entre outros. Todos esses já se foram, mas deixaram um
legado significativo que sempre nos encantará.
E assim o brasileiro prossegue
criando. Tivemos a genialidade de um Millôr Fernandes que revolucionou o haicai
com o seu humor irreverente, bem como o citado Leminski que fez muitas
experimentações com os poemas minimalistas. Aqui no RN temos alguns poetas que
praticam bem o haicai, como Lívio Oliveira (Pena
mínima; ‘Cais natalenses – 101 haicais) e Jarbas Martins (44 haicais). Destaco o gosto deste
último para a derivação do haicai batizada de “haicai guilhermino”, em
coerência com um novo cânone estabelecido pelo também sensível e criativo
poeta paulista Guilherme de Almeida (1890 – 1969) dentro desse gênero oriental
milenar. Outro poeta que escreveu
haicais (e até poetrix, veja em O fruto
maduro) foi o já mencionado Luís Carlos Guimarães (1934 – 2011).
No ano de 1999 (há dezoito anos),
na Bahia, o poeta Goulart Gomes publicou o livro “Trix –
poemetos tropi-kais”, a partir do qual
teve a ideia e a iniciativa de criar o cânone, os princípios que regeriam esse
tipo de terceto, batizado como “poetrix”. Pode-se dizer que ali nascia um novo
gênero poético minimalista, uma alternativa ao haicai, ainda que outros poetas
já o tivessem produzido de forma espontânea e intuitiva, sem atentar para o
fato de que poderia ser caracterizado como um gênero específico, pois que, até
ali, tal produção era despida dessa intencionalidade. A título de exemplo,
observei a partir do livro “A arte
poética de Diógenes da Cunha Lima”, organizado pelo escritor e pesquisador
Thiago Gonzaga, que esse poeta havia
escrito dois tercetos, nos seus livros Instrumento
Dúctil (1975) e Corpo breve
(1980), que podem, a partir do cânone estabelecido por Goulart Gomes, ser
considerados como poetrix. São, respectivamente, os poemas “Ouvindo a Nona” (Música/Sorriso/De Deus) e “Cama”
(A cama pura/antecipação/da sepultura).
Vale destacar também que um ano
depois da caracterização do gênero poetrix, ou seja, no ano 2000, em Mariana/MG,
surgia o gênero “aldravia”, criado pelos poetas Gabriel Bicalho, Donadon-Leal e
Andreia D. Leal. Uma modalidade que vem sendo abraçada por muitos poetas, com
várias antologias já dedicadas a ela. Ambos, poetrix e aldravia, estão,
portanto, inseridos no que se pode chamar de “poesia minimalista”.
Para o fulcro desse artigo, importa
rememorar um pouco acerca do poetrix, caracterizado como um terceto, com
título. O poema pode ter até, no máximo, 30 sílabas métricas. Diferentemente do haicai, que trata de
elementos da natureza, do tempo, das estações do ano, o poetrix admite qualquer
tema, em qualquer tempo verbal. Permite metáforas e outras figuras de linguagem.
Enfim, um gênero versátil que sai da camisa de força, tanto da temática quanto
da estrutura silábica 5-7-5 do haicai.
Importa dizer também que existe
um Movimento Internacional Poetrix – MIP, o que leva o gênero a contar com
inúmeros criadores mundo afora. O poetrix teve desdobramentos, como o duplix
(dois poetrix de autores diferentes, a dialogar e a se complementar), o triplix
(três poetrix conjugados) e o multiplix (quando quatro autores diferentes se
irmanam em versos complementares ou suplementares). Essas variações do poetrix
são uma excelente forma de se produzir poesia colaborativa minimalista.
Acontece que um outro poeta,
Pedro Cardoso DF (que pertence ao Grupo Poetrix), certo dia, ao ver a palavra “Sertãozinho”
(nome de uma cidade do interior de SP), teve a ideia de quebrá-la em três
outras palavras: “ser – tão – zinho” e atribuir-lhe um título que lhe daria um
novo significado. Ficou assim:
POLÍTICO
ser
tão
zinho
(Pedro Cardoso)
Ou seja, o que era o nome de uma
cidade, agora, nessa derivação do poetrix chamada de “palavratrix” por Pedro
Cardoso, passa a criticar um tipo de “ser” que se jacta de ser “político” o
que, infelizmente, em muitos casos o levam a ser “tão” insignificante, a ser um
“zinho”, que não dignifica o nome que leva.
Outros exemplos de palavratrix do
próprio Pedro Cardoso:
ANDARILHO
tatu
a
pé
(Pedro Cardoso)
Todos nós sabemos que “Tatuapé” é
o nome de um dos bairros da cidade de São Paulo. E o título empresta um novo
significado ao andarilho, transformando-o num bicho, o tatu que anda a pé.
Aliás, no geral, esse palavratrix faz uma analogia com uma cidade de milhares de
carros, a poluir e a entravar o trânsito. Para se andar em São Paulo, só mesmo
um andarilho que vira tatu e cava túneis, como os famosos metrôs. O palavratrix,
portanto, pode levar o leitor a uma infinidade de interpretações, tudo a partir
de apenas uma palavra quebrada e com um título que a direciona a outros campos
semânticos.
Outro palavratrix, que considero criativo,
é:
PINTANDO A
VIDA
a
cor
dar
(Pedro Cardoso)
Numa variação desse mesmo verbo,
na sua flexão “acordava”, Andra Valadares, poetrixta mineira elaborou o
seguinte palavratrix:
DEUS NA
CRIAÇÃO DO MUNDO
a
cor
dava
(Andra Valadares)
Vale ressaltar que o título de
qualquer poetrix não entra na contagem de sílabas (reforço aqui: um poetrix
pode ter ATÉ, no máximo, trinta sílabas métricas). Quanto ao título, pode ter
qualquer extensão, diz o cânone.
A partir desses quatro exemplos,
pode-se perceber a importância do título para ressignificar uma palavra
repartida em três outras. O título é essencial, pois é ele que dá o “norte”, o
novo rumo que a palavra seguirá, agora em três versos oriundos de sua quebra, a
gerar um significado diferente, o que significa redimensionar o sentido
original da palavra. Como se o poeta quisesse penetrar a entranha da palavra e
submetê-la a um ato cirúrgico que a magnifica para além de si mesma,
tripartida. Como se vislumbrasse dela a cabeça, o tronco e os membros que lhe
atribuem uma nova forma de se movimentar no campo poético minimalista.
Como não existem tantas palavras
que podem ser quebradas em três outras, imagina-se que poderá haver repetições
de palavras em diferentes palavratrix. Seria isso cópia, plágio? Essa mesma
dúvida tinha a poeta e poetrixta Kathleen Lessa (criadora do blog Kaleidoscópio
Literário, e que publicava também no Recanto das Letras), ela que já se foi
para as estrelas no ano passado (2016). Então, a poeta quis tirar essa dúvida
com o criador do gênero, Pedro Cardoso, que lhe respondeu, num e-mail datado de
20/10/2008, conforme consta no blog da poeta:
“No palavratrix o que importa é o título... Com certeza teremos muitas e
muitas palavras iguais, mas o sentido certamente bem diferente. Este é o meu
encanto com o palavratrix.”
Confesso que já passei por esta
experiência. Criei um palavratrix com a palavra “amortecedor”. Com essa mesma
palavra a poeta Tânia Souza, de Campo Grande/MS, também fizera um palavratrix.
Em épocas e geografias diferentes, um sem tomar conhecimento do outro. Só
depois é que, ao receber o seu livro “De(s)amores
e outras ternurinhas”, fiz essa constatação. Vejam os dois exemplos:
ÀS VEZES
amor
tece
dor
(José de Castro)
TRAIÇÃO
amor
tece
dor?
(Tânia Souza)
Como bem observou Pedro Cardoso, criador do gênero,
a palavra é a mesma, usada em contexto caracterizado de forma diversa, com
sentidos diferentes conferidos pelo título atribuído pelos respectivos autores.
Aconteceu um incidente parecido, de ideias que
tiveram a raiz na mesma palavra, quando escrevi uma aldravia e um palavratix com a palavra “amarela” e percebi que o poeta
Marcelo de Cristo (ou decristo, como assina) tem um livro com o título “Tons de amar-ela”. Esse título pode ser
considerado um palavratrix se fizermos a
sua diagramação assim:
TONS DE
a
mar
ela
(decristo)
A minha aldravia (que está no livro Quando chover estrelas) é assim:
tão
azul
como
pude
amar
ela?
(José de Castro)
Para o palavratrix usei a mesma ideia, mudando a
cor. Veja:
TÃO VERDE,
COMO PUDE
a
mar
ela?
(José de Castro)
Aqui no Rio Grande do Norte venho
divulgando tanto o poetrix quanto suas variações, principalmente o palavratrix.
Temos vários poetrixtas no estado, como Fátima
Mota, Clécia Santos, Paulo Caldas Neto,
Eliete Marry, Edilberto C. Santos, Nilda Pessoa, Vera Azevedo, Marcelo de
Cristo (Tons de Amar-ela), Kiko Alves
(Ancoradouros), Maria Maria Gomes (Algodão e Sal), entre os demais. Existem
outros como Gilvânia Machado que organizou duas coletâneas de poetrix (Fagulhas Poéticas e Fagulhas Poéticas - Volume II) além de
ter publicado o seu livro solo neste gênero, o Rendas & Fendas. E também o criativo poeta Marcos Campos com o
seu livro Um bêbado sonhador, que passeia
com desenvoltura pelo gênero poetrix, dentre outras modalidades. Encontramos
também esse gênero no trabalho da poeta Leocy Saraiva (um poetrix – Grave - em homenagem a Leminski) no seu livro Versos Temporais. Há bons exemplos de
poesia mínima (poetrix) num livro de Ruy Rocha (Poesia alguma) e também nos poemas criativos de Carito Cavalcanti (Atestado de órbita). Imagino que
existam, aqui no RN, outros autores que escrevem poetrix, até mesmo sem o
saber. Contudo, este artigo, pelo seu fôlego
curto, não tem a pretensão de esgotar o tema, mas de lançar algumas luzes sobre
a poesia minimalista.
Gosto de citar o palavratrix,
produzido por Paulo Caldas Neto, publicado na Coletânea de Poemas – UBE/RN, 2015. Vejam:
PAIXÃO DO
MESTRE DE OBRAS
ama
dure
cimento
(Paulo Caldas Neto).
Confesso-me um minimalista
apaixonado. Tanto pelos haicais, pelas aldravias quanto pelos poetrix. E o
palavratrix me desafia a cavar palavras que sirvam para expressar
estranhamento, sarcasmo, crítica social e, noutros casos, provocar risadas.
Vejam algumas das minhas criações, que sairão em breve num livro ainda em fase
de organização.
DE 8 EM 8 ANOS, VOTA-
se
na
dor
EM TEU PESCOÇO, BEIJOS
de
co
lar
TAÇA DE TRAIÇÃO
gole
a
dor
SE “BEBES” PELO NARIZ
és
co-
bar
O AMOR ENTERROU COM
pá
de
cimento
EM BELEZA TRISTE
a
dor
nado
REMAR CONTIGO
a
mar
ia
(José de Castro)
Deixo aqui um desafio a você, leitor. Venha brincar
de descobrir palavras que possam ser quebradas em três outras, que se
constituirão nos versos do poema minimalista. Depois, escolha um título
interessante que expresse a sua engenhosidade no trato com a ressignificação do
vocábulo. Observe bem o cânone aqui
apresentado, pois não basta quebrar a palavra em três sílabas quaisquer. Cada
sílaba (ou seja, cada verso), tem que se configurar como uma palavra existente,
de vida própria, nem que seja apenas um conectivo ou uma letra isolada.
Então, que tal experimentar essa
FERRAMENTA POÉTICA
pá
lavra
trix?
Está feito o convite. Caso o aceite, seja bem-vindo
ao universo da poesia minimalista. Aquela que, segundo Ezra Pound, precisa ser
capaz de expressar o máximo com um mínimo de palavras. Boa sorte nas suas
criações.
*José de Castro, jornalista, escritor, poeta. Autor
de livros infantojuvenis (A marreca de
Rebeca; A cozinha da Maria Farinha; Poemares; Poemas Brincantes; Poetrix e Vaca
amarela pulou a janela, dentre outros). Membro correspondente da Academia
de Letras, Artes e Ciências Brasil – ALACIB/Mariana-MG. Participa da Sociedade
dos Poetas Vivos e Afins do RN – SPVA/RN e da União Brasileira de Escritores –
UBE/RN. Cônsul Poeta del Mundo de Parnamirim/RN. Patrono de uma biblioteca na
Escola Municipal Jacira Medeiros (Parnamirim/RN). Autor dos livros “Apenas palavras” e “Quando chover estrelas”. Contato: josedecastro9@gmail.com
Notas:
1. Haicai
– gênero poético milenar oriental, terceto de 17 versos, na estrutura 5-7-5,
dedicados à temática ligada à natureza. Poetas consagrados no gênero: Matsuo
Bashô (1644 – 1694) e Kobayashi Issa (1763 – 1827);
2. Haicai
Guilhermino – criação do poeta Guilherme de Almeida (1890 – 1969), que
estabeleceu o cânone que permite ao haicai ter título, uma rima do primeiro com
o terceiro verso, além de uma rima interna no segundo verso (rima-se a segunda
sílaba métrica com a sétima). O cânone manteve a temática específica ligada à
natureza e também a estrutura métrica 5-7-5;
3. Aldravia
– gênero minimalista criado em Mariana/MG pelos poetas Gabriel Bicalho,
Donadon-Leal e Andreia D. Leal. Um poema de estrofe única de seis versos. Cada verso
deve ser univocabular;
4. Poetrix
– terceto com título, que pode ter até, no máximo, trinta sílabas métricas. O
cânone estabelecido permite ampla liberdade de criação temática, bem como todo
o tipo de experimentação com a palavra que pode navegar em qualquer tempo
verbal, seja passado, presente ou futuro. Além disso, figuras de linguagem são
permitidas, sendo que o título do poema pode ter a extensão que o autor
decidir, sem interferir na contagem de sílabas métricas;
5. Palavratrix
– uma derivação do poetrix. Segue o cânone estabelecido, com a particularidade
de ser fruto da quebra de uma palavra em três outras, com um título que lhe dá
um nexo.
LEITURAS RECOMENDADAS:
ALVES, Kiko. Ancoradouros.
Mossoró: Sarau das Letras, 2016.
CAMPOS, Marcos Antonio. Um
bêbado sonhador. Natal: Caravela Selo Cultural, 2016.
CASTRO, José de. Quando chover
estrelas. Natal(RN): Jovens Escribas, 2015.
______________. Poetrix.
BH(MG): Dimensão, 2013.
______________. (org.) Coletânea
de Poemas – UBE/RN 2015. Natal(RN):
UBE/RN. Offset Editora, 2015.
CAVALCANTI, Carito. Atestado de
órbita. Natal(RN): Jovens Escribas, 2012.
DE CRISTO, Marcelo. Tons de
amar-ela. Natal(RN): Jovens Escribas, 2016.
FABRE, Mardilê Friedrich. Entardecer
com aldravias. São Leopoldo: Oikos, 2015.
GOMES, Goulart. Trix – poemetos
tropi-kais. Salvador: Pórtico, 1999.
_____________.(org.) Antologia
poetrix 3 – Comemorando 10 anos de criação do Poetrix. Lauro de Freitas, BA:
Livro.com, 2009.
_____________.(org.). 501
poetrix para ler antes do amanhecer. Lauro de Freitas, BA: Livro.com, 2011.
GOMES, Maria Maria; FRANCISCO, Antônio. Algodão e sal. Mossoró: Sarau das Letras, 2012.
GONZAGA, Thiago. (org.) A arte
poética de Diógenes da Cunha Lima. Natal/RN: CJA Edições, 2015.
GUIMARÃES, Luís Carlos. O fruto
maduro. Natal: Fundação José Augusto, 1996.
LEAL, Andreia Donadon; BICALHO, Gabriel; DONADON-LEAL, J.B. O livro das aldravias. Mariana: Aldrava
Letras e Artes, 2011.
_____________. O livro II das
Aldravias. Mariana: Aldrava Letras e Artes, 2013.
_____________. O livro III das
Aldravias. Mariana: Aldrava Letras e Artes, 2015.
LEMINSKI, Paulo. Toda poesia.
São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
MACHADO, Gilvânia. Rendas &
Fendas. Praia Grande, SP: Editora Literata, 2014.
________________.(org.) Fagulhas
Poéticas (antologia de poetrix). Praia Grande, SP: Editora Literata, 2011.
________________.(org.) Fagulhas
Poéticas – Vol. II – Poetrix. Praia Grande, SP: Editora Literata, 2013.
MARTINS, Jarbas. 44 haicais.
Natal(RN) : 8 Editora, 2014.
OLIVEIRA, Lívio. Pena mínima.
Natal(RN): Sebo Vermelho, 2007.
___________. ‘Cais natalenses.
101 haicais de Livio Oliveira. Natal(RN): 8 Editora, 2014.
ROCHA, Ruy. Poesia alguma. Natal(RN): Jovens Escribas, 2012.
SARAIVA, Leocy. Versos
temporais. Natal(RN): CJA Edições, 2016.
SOUZA, Tânia. De(s)amores e
outras ternurinhas. São José dos Pinhais, PR: Editora Estronho, 2016.