QUINZE POETRIX NA ARCA DE NOÉ


Por José de Castro

01.
NA PASSARELA DA ARCA
Tatuado, de brinco,
charmoso e moderno
desfila o ornitorrinco.

02.
NA ARCA DE NOÉ
Tigre de bengala,
binário compasso
manca no convés.

03.
NA ARCA SE INVENTA MODA
A cacatua da Austrália
desfila no salto.
A cutia de sandália.

04.
SAVANA NA ARCA
Ruge o leão.
No jogo dos bichos
deu zebra também.

05.
JOGO DE CARTAS 
O tatu e a tatua
pra matar o tempo
jogam buraco.

06.
TROCADILHO NA ARCA
Leão escova o dente.
Leoa penteia a juba.
Centopéia quer ser_pente.

07.
DE TUDO UM POUCO
Um porco espinho
espeta outro porco.
Noé fica louco.

08.
PARADOXOS DE NOÉ
Pobre barata!
Sobreviveu ao dilúvio.
Mas não ao chinelo.

09.
ACENANDO, UM LENCINHO
Na Arca, solitário,
o bicho-saudade
também embarcou.

10.
PÓS-ALMOÇO VEGANO
Na rede,
Noé tira a sesta
com preguiça.

11.
ARGONAUTA
O papagaio de Noé
declama Pessoa:
“Navegar é preciso”.

12.
FANFARRA DOS BICHOS
A arca segue adiante.
Toca tarol dona Onça.
Sopra trumpete o elefante.

13.
ELEMENTAR, MEU CARO!
Noé inventou
o zoo.
Lógico.

14.
E AGORA, NOÉ?
Coça a cabeça.
Franze o sobrolho.
Seria piolho?

15.
À NOITE NA ARCA
Bichos, sono tranquilo.
Na cabeça de Noé
Os grilos.


(José de Castro, aprendiz de poeta, SPVA/RN, UBE/RN) 

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