BRUXA • UM POEMA DE MÛRE PIOGGIA



Mamãe, eu sou uma bruxa
acabei de saber
me descobri naquele
Diabo
com quem cometo
todos os pecados
e adoro pertencer

Mamãe, não dou pra ser
crente, não
já não tenho remissão
sou uma alma perdida

Perdida de amor
na saliva
da língua infernal que
me lambe
minha carne consome
faminta, mexendo bem fundo
na caldeira
entre minhas coxas

Mamãe, minha aura agora é
vermelha e tem gosto
daquilo que explode veias
quando chove no céu
da minha boca

Ah, mamãe, sinto tanto!
mas guarde sua crença
seu livro sapiência
pois prefiro o encanto

De ser bruxa
deusa, louca
ser um bicho ou outra coisa
mas ser tudo o que
o meu Demônio
intenta
manda
quer

Porque não há gozo maior
cultuado em meu ventre
do que ser

sua Mulher.

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