DA SÉRIE ERÓTICAS


04 Poemas de Jeanne Araujo 

Transe

Vilipendiada por tuas mãos
por tuas palavras e teu sexo
ultrajada até não mais poder
vi-me despojada de mim mesma.
Então acendo fogueira
danço em transe
e transo.

Meu gozo é meu rito
e agonizo em tuas chamas.


Gozo

Ao cair da tarde
tenho um rosto antigo

As estacas do tempo
cravadas na tarde
ardem voluptuosas
na lisura das ancas
no limo dos ossos
na ânsia do gozo.

No dentro e no fora
no fora e no dentro
sem muita demora
enquanto devoras
minha carne-unguento.


Cabala

Quando arqueio as costas
vibro igual violino
e mesmo as amarras
mordaças e estacas
não me bastam.

A voz, a tua, arrepia
as porcelanas, os quadros
e estremeço
onde o corpo se contrai.

Meu horror é teu mandamento
consentido em meu corpo inteiro.
Se preciso eu uivo, sibilo
acendo tua vela, teu pavio, tua adaga
porque és armadilha de cilício
no meu ventre.


Gotas

os pingos túmidos
que brilham em meu rosto
são gotas de quem me habita
e escreve na pele
a ferro e a fogo
elegia sagrada

e eu, curvada sobre pêndulo
ferindo-me no êxtase
doendo-me nos vãos
desembocando-me em extremos
contorço-me
enquanto sua escrita hieróglifa
desenha delicadamente
sobre meu rosto
membros, falos, grutas e fendas.


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