A poesia de Elke Lubitz


NOITE
A pista de pouso do poema
Constela o chão
Ilusão
Asas oblíquas derrapam
Nas nuvens
Nenhum farol na noite escura
Só o mar na paralela linha
Do horizonte
A pista de pouso do poema
Constela sonhos e solidão
Só o presságio define a arte de morrer
Antes da lua apagar o sono
Só o amanhecer cancela voos
E transcende a eternidade.


PARTO

Quando a noite
Contorce
Momentos

Braços de
Luas
Alcançam ausências

Explosão de
luz
Recriação de estrelas

Rutilância espraiada
Nos abajures do universo
- Volúpia dos anjos -

Isto é sobre o céu
Quando toma posse de
Mim.


LEVE POUSO

Tão leve pouso da bruma na areia
Cálido abrir do mar, a flor
Beliscava a lua volta e meia
Conchas e corais, chamuscada cor

*

Tão breve instante da pálida pele
A diagnosticar as idades da existência
Sono solto, estrelas dormentes
Transparências em véus, deslindes da luz

*

Sonhei-me um Sol , tornei-me um agora
Teu rosto perpétuo mar na clave do tempo
Sonhei- me uma vida, tornei- me um vento

*

Enxuguei todo pranto , levei embora
Sonhei-me Poesia ,tornei-me presságio
Amansei azuis burilando a aurora

2 comentários:

  1. Adorei ter visto teus poemas aqui, e ao mesmo tempo conhecer a revista.
    Uma beleza! Beijos!

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