DA SÉRIE TRÊS POEMAS DE OURO

A mágica poética da poeta sul-mato-grossense CLAIRE FELIZ REGINA

Este poema é pra você

Abrindo os olhos quando eu nasci
eu já te procurei.
E a primeira vez que eu te vi
sabia que era você
e nesse instante te amei.

Nós nascemos pra ficar juntos
pois nosso amor vem do além.
Eu te amo há muitas vidas
e você me ama também.

Nesta eu nasci pra te amar
o seu amor era meu,
mas alguém chegou primeiro
e ocupou o meu lugar.

Todas as noites eu olho o seu lugar
Está vazio no vazio da minha cama.
E eu não entendo esse destino
você casado com uma mulher que não ama.
Diz pra ela que seu casamento foi um engano.
Que você errou o caminho do altar.
Que eu já estava lhe esperando,
e era a mim que você queria encontrar.

Diz, mas diz depressa,
Enquanto eu ainda posso esperar.

Mas ainda que eu já esteja morrendo, meu amor,
venha para perto de mim.
Quero, pela última vez, te olhar com meiguice
e te dizer as palavras de amor que eu nunca disse:
 te amo meu amor.

 •

Amor eterno

Eu olhava aquela menina na praça, que graça.
Ela brincava,  tão feliz e tão risonha.
Eu voltava todos os dias para vê-la brincar, para vê-la crescer.
Tão linda e tão risonha.
A menina cresceu.
Eu me apaixonei. Ela se apaixonou.
Foi um grande amor que deu certo, com um final feliz.
Nos casamos. E seríamos felizes para sempre.
Na igreja o padre disse amém.

Mas vida passou.
A vida cobrou,
a vida pagou.

Agora a minha menina, velhinha, na cadeira de balanço, olhando para mim,
 parece que me pergunta se o nosso amor está chegando ao fim?

Eu ainda vejo a minha menina risonha naquela
velhinha que sonha nunca se separar de mim.

Minha menina querida, é verdade que estamos
chegando no fim da vida, mas não no fim do nosso amor.
 Quando o padre, na igreja, disse amém,
no céu Deus disse também.
Já vivemos nosso amor na terra agora vamos vivê-lo no além.


Envelhecer

Olhe o verde, olhe o azul, olhe o amarelo
Olhe tudo que é bom que está perto de você.
Encontre rimas cegas
Para não enxergar o que é triste
E só falar do que é belo.

Não faça como os versos que eu fiz
Que querendo cantar a beleza
Só falei de tristeza
Mesmo quando eu não quis.

Meus versos envelheceram comigo.
Falo muito de tristeza,
raramente de beleza
e nunca falo de amor
Já falei muito mas não falo mais.
São coisas que pra mim já ficaram pra trás.

Restaria-me viver do passado?
Das coisas que já vivi?
Pois se olho para o futuro
vejo muito pouco.
O presente passa muito rápido.
E o passado? Como viver do passado
se dele já me esqueci.

Fazer versos na minha idade
É heresia
É ilusão
Esta e a minha poesia
Esta é a minha solidão.



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