MÃE • Por CLAIRE FELIZ REGINA


Brincar de esconde-esconde era tudo o que eu queria.
Eu fechava os olhos, minha mãe desaparecia.
Mas eu sabia que ela ia voltar. 
Eu sabia que ela estava por ali.
Se eu quisesse encontrá-la
era só procurar.
E como era bom vê-la aflita
me procurando,
me pedindo para voltar.
Ela não podia viver sem mim.
Era isso que ela dizia
enquanto me procurava.
E eu ria baixinho e ela fingia que chorava.
E quando acabava a brincadeira,
Como era bom ficarmos as duas
abraçadas, assim,
eu olhando pra ela
e ela olhando pra mim.
Nessa hora ela me dizia:
você vai ser feliz a sua vida inteira.
Era isso que ela pedia a Deus,
era isso que ela queria.
Mas um dia a minha mãe se escondeu,
e eu procurei, procurei, procurei
e não mais achei.
Eu ainda nem sabia que a morte também brincava
de esconde-esconde com a vida.
E naquele dia ela achou a minha mãe primeiro que eu,
e nunca mais me devolveu.


Um comentário:

  1. Que legal achar esse poema aqui. Gosto muito dele. Obrigada Radyr.

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