CORDEL • DUELO DE GIGANTES


Duelo entre os cordelistas NATAL BARROS e CAIRO PEREIRA

N - Mato cascavel no dente
E no tapa, mato naja,
O leão que me peitar
Para o buraco viaja.
E couro de crocodilo
É o que este vate traja.

C - Paciência, poeta, haja
É você que entrou na peia,
Vou cortar sua garganta,
Pois a cantoria é feia
Não precisa ser um bode
Que ao morrer, tanto esperneia.

N - Boto Cairo na cadeia,
Vai mofar la na prisão
Na mesma cela do Cunha,
Logo, chega seu irmão,
O Michel Têmer, que ainda
Comanda minha nação.

C - Eu sou grande gavião
Que não fica preso nunca
É você que vai pra lá
Mofar naquela espelunca,
Ficar com o nariz torto
Com a ponta bem adunca.

N - Você com cara de "cunca"
E esse nariz de capemba,
Seu bunda de bandoleira,
Seu cabeça de urupemba,
Não vai me vencer jamais
Com sua rima mambeba.

C - Você parece o Jdhunemba
De um anime japonês:
Cada xingo que eu lhe der
Peido você solta três,
Mas se for uma sequência
Caga logo de uma vez.

N - Pare no que você fez,
Para o pior não descambe,
Já está ficando claro
O seu jeitinho de bambe.
A vitória na disputa
Já é minha e boi não lambe.

C - Veja bem, não me esculhambe,
Parta para a rima rica,
Mexa no seu pensamento
E tire toda a titica,
Seja mais inteligente,
Seja como o Tiririca.

N - Comigo não pacifica
Se não elevar o nível
Ficar só com tais bobagens
Cada estrofe tão risível
Pega mal pro seu currículo
Pro meu também é horrível.

C - Pelo jeito está sensível
E não quer levar mais couro
Cê é chifrudo, eu tô ligado,
Porque me disse ser touro,
Já falei: sou gavião,
Porém lhe digo: valho ouro.

N - A minha honra é um tesouro
Nunca queira tocar nela
Posso beber o seu sangue
Com farinha na tigela
Deixar seu corpo sem vida
Só dum chute na canela.

C - Ka ka ka quanta esparrela,
Sua rima é pusilânime,
O meu ritmo é perfeito,
A Bancada inteira é unânime,
Reconhece o vencedor
Que no verso é tão equânime.

N - Eu, em ti, só vejo equânime,
Dos chifres, as duas pontas,
Se tu sais, Ricardão chega,
Ele corre, quando apontas.
Com esta realidade
Todo dia te confrontas.

C - Quantas rimas véias prontas
Que cê fez, caro Natal
Relembrando do passado
Que não foi nada legal
Na sextilha você fez
Ele ser tão atual.


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