VALDECI ALMEIDA


A versatilidade do Poeta paranaense VALDECI ALMEIDA na Série Poetas da Nova Era
Olhos sedutores
Toda vez que olho para os teus olhos
metade de mim é água
e outra cede...
Desabo pra essa mata ciliar
de vivos verdes...
Nascente entre as pedras,
deserto que sou
Quedo-me rochedo
em avalanche
num eclodir de desejos
pela primavera
que se abre em teu ser
Líquido vou
sólido
sujo
e cristalino
A refletir no espelho dessas aguas sequiosas
pássaros anjos, submersas ninfas
solua
amiúde
Toda vez que olho para os teus olhos
A poetisa
Quando ela passa,
Vestida de palavras,
Desprende o caminho
Duas folhas mortas.
E todo meu ser
Concede-se à dúvida
Do porquê dos passos
Dessas insignificâncias.
Duas folhas mortas
Arrastadas pelo sopro
Criador dos seus versos,
Gravitados por sua luz.
Viram esquinas,
Ciciam pelas calçadas
No encalço indômito
Da sua beleza estonteante.
Espiam o despir da musa
E dissolvem-se nos jardins Monet...
Enquanto ela desabrocha
Sob o pouso de minhas pálpebras.
Quádricas sentimentais
Um poema pra compreender
As interrogações do abandono,
As nuvens do desencanto
Eclodidas de um coração partido.
Um poema pra compreender
O borrão sanguíneo do sol,
Os dias que desaguam
Nas voragens da solidão.
A lâmina da vida
Ao separar dois corpos,
Não duas almas
Pelo orgulho algemadas
Nas margens da distância.
Um poema pra compreender
As palavras mudas,
A máscara de Tália
E o rosto Melpômene.
As derivadas e integrais
Do feitiço que traga
O amor de volta... Um poema
Pra compreendê-las.
Por amor se abater
E o céu não querer
Mais que o ser amado!
O coração verbalizado,
A fórmula da poesia..
Um poeta...
Pra escrevê-la!
Abdução
Eu não sou o que se conforma
Com este mundo tão injusto.
Sou o louco e o sendo cuspo
Em toda lei, regra, norma
Não me adapto, não me ajusto
- Eu não - de nenhuma forma...
À hipocrisia que adorna
Os mais veneráveis bustos.
Eu sou filho da loucura
Meus pais, estrelas escuras...
Eu não sou deste planeta.
Minha musa, porca imunda!
Mas meu ser só o tem rotunda
No abduzir do ser poeta


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