PABLO DEL MORALES


A intensa inspiração do Poeta sul-rio-grandense PABLO DEL MORALES, na Série Poetas da Nova Era

Em meio a uma tenebrosa tempestade, 
o céu desfecha uma punhalada elétrica 
bem no meio da escuridão.
Um clarão ilumina o centro da treva: 
e lá está o poeta 
em pé, 
parado, 
estendendo uma rosa escarlate para você.


Os martelos giratórios batiam no círculo da vida
com a euforia dos minutos.
A abundância do planeta existia na gente
o tempo todo.
A alimentação animava a reflexão do planeta
e os seres continham mistérios,
onde persistia uma água de cor e cheiro
extremamente sossegados,
sugerindo o arrebatamento do amor
dentro das cabeças.
Vez por outra chovia na alma da gente
e recordávamos as cascatas.
Era a única forma geral
de enfrentar a grande sede da vida.
Os ruídos do oceano seguiam seu curso,
atraídos pelos pássaros inesperados.
Era tudo muito comovente.
Podíamos dormir tranquilos
ao longo das lendas do passado.

hoje não falaremos outra coisa
bocas e lábios dirão beijos
corpos entrelaçados em prece
e o diálogo infinito das mãos 
no silêncio inquieto da pele
estarão timidamente ocultos
na voz indefinível da penumbra 
que se desfia na quietude
da luz murmurante do abajur.


As condições que a mulher dita
tingidas as mulheres entram na casa do vestido, 
depois olham o reflexo da casa no espelho. Depois 
põem a mão na cintura 
e olham os alicerces 
dos sapatos, 
sempre com as mãos na cintura. 
Saem em seguida e levam a cintura, a casa e o vestido 
por todos os lugares onde vão. 
Todos olham a casa, o cimento de suas paredes, a cor
a dicção por cima do clima, encomenda
o cão dos olhos na condução
O poema-mulher é uma equação de símbolos numéricos, de imagens em trânsito,
no adensamento
dentro da mesma da primavera
densamente
com vocação.
A mulher é um verbo com ramificações,
um ser absoluto, estatutário:
a mulher lunar cose
roupas e alimentos
com um filho pendurado ao pescoço,
pensando no mercado.
As mulheres têm um mercado na cabeça, em cima da cabeça, ao lado da cabeça,
e cílios pincelados de matéria curvilínea,
apontados para a organização da vida,
e suas unhas pintadas embelezam o par de pás
que cavoucam cuidados familiares
que ela
em seu coração interminável nutre 
com frações de aço amoroso, duro metal, inacabável.
Em seus trabalhos, a mulher bate com seus músculos de ouro e paga contas
taxas diurnas, noturnas,
Com o sal que brota de suas vísceras
a mulher entra no seu vestido e sai para todos os lugares.
À noite, a mulher dorme, como tudo que é vivo e cansa, e então ela sonha.


Nenhum comentário:

Postar um comentário