O ROMANTISMO DO POETA ALAGOANO

CHARLAN FIALHO
NOITE DE AMOR

O vinho era o cúmplice daquela noite entre os lençóis.
Fomos embriagados pela bebida da nossa relação.
Nosso papo transformou-se em um som acústico de prazer.
Embriagamos-nos até o amanhecer.

Naquela cama o perfume exalou os desejos da paixão.
Embriaguei-me em teu sorriso com aquele vinho.
Fui todo seu.
Amei-te com a doçura
De uma noite de ternura.
Meus lábios foram todos teus.
Seu gosto fermentou-me,
Fez-me sentir amamentado numa melodia.

Naquela noite seu paladar
Apurava meu vinho branco.
Você o saboreou sem hesitar.

Nesse hábito de amar,
Apreciei suas uvas.
Senti a qualidade dos seus afetos,
E degustei toda pureza do seu coração
Como bom neófito.

Assim o vinho tinto do seu corpo
Enfeitiçou o meu gosto.
Deixou-me feito um amante bobo.
Que acorda com vontade de segurar seus cachos.



QUERO UM AMOR

Cansei desse negócio de amor próprio.
Quero um amor do outro,
Daqueles que me tirem o fôlego.
Faça-me doente de prazer.

Saturei-me de amar apenas a mim mesmo,
Esconder-me em segredos.
Sem histórias a dois para contar.

Chega até ficar enfadonho, não ter lábios para molhar,
Não importa se aqui, ou acolá.
Se o encontrarei na esquina,
Ou na sala de jantar.
Quero extravasar um amor sem fim,
Não quero mais olhar só para dentro de mim.

Não me vejo mais escondido nesse pranto,
Com meus sentimentos velados.
Quero um amor escroto,
Que morda-me o pescoço
E arranque-me das fendas da solidão. (das amarras do passado).

Estou certo que largarei
Minhas armas no porão da indolência.
O deserto não será mais o meu habitat.
Não adianta acostumar-me com os sonhos.
Eu subirei até o cume da cumplicidade,
E com minhas forças,
Amarei quem a vida pôr ao meu lado.



O PECADO DO FRACASSO

Eu fracassei quando não levei a sério seus versos de amor;
Quando os deixei jogados no canto da insensatez;
Quando não quis aprender com as loucuras do teu coração
E não esforcei-me em amar suas lástimas matinais.

Eu fracassei quando abortei a esperança
De reescrever uma nova história,
Quando fiz-me de ingênuo
Por não acreditar na canção dos teus gemidos,
Quando recusei dançar no sabor dos teus beijos
E não enlouqueci-me na ternura dos teus desejos.

Eu fracassei porque algemei teus sentimentos;
Os privei dos meus contentos, com lamentos parafusei a dor
Dentro de mim; como uma praga sem fim,
Não deixei teus sonhos voarem como pássaros
Pelos campos da cumplicidade.

Eu fracassei... isto se vê escrito nas nuvens escuras do céu,
Nas águas amargas da cachoeira, nas manhãs cinzentas de cada horizonte.
Confesso... eu não fui incauto,
Mas cometi o pecado do fracasso
E violei as regras do amor...
O escondi em meu mundo; o feri com farpas...
Deixei os sentimentos se perderem no lado sombrio do tempo.

Eu fracassei porque abandonei teus conselhos
Quando pedia-me há tempo para amá-la
E desisti de encontrar a estrela Dalva no fundo do mar.

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