DAVID MOURA


A verve inspiradora de um dos melhores sonetistas dos dias atuais • DAVID MOURA na Série Poetas da Nova Era
Sangue, Suor e Lágrimas
Se queres ser lembrado no futuro,
À parte do que quer que te aperreia,
Evita pois então cair na teia
Das falsas alegrias do monturo!
Se anseias tornar bela a cara feia
Da vida que te fez um homem duro,
Atua como alguém que vê no escuro
E acerta com teu golpe o mal na veia!
Se assim desejas te afastar da escória
Daqueles que se iludem pelas modas,
Precisas escrever a tua história
Co’o sangue que te jorra das feridas,
As gotas de suor das tuas fodas
E as lágrimas de dor por ti vertidas!

Sangre, Sudor y Lágrimas
Si quieres hacer parte del futuro,
Independiente al mundo y su cizaña,
Cuidado con la enorme telaraña
¡De todo lo que brilla y es oscuro!
Si buscas destrozar esa artimaña
De la vida que te hizo un hombre duro,
Actúa como quien derriba un muro
¡Y acierta con tu golpe el mal que engaña!
Si piensas alejarte de la escoria
De quienes sólo viven de fachadas,
Precisas escribir tu propia historia
Con la sangre a brotar de tus heridas,
Las gotas de sudor de tus folladas
¡Y el caudal de tus lágrimas vertidas!

Nada a dizer
Não tenho nada o que dizer agora,
Pois todas as palavras foram ditas
Por línguas escabrosas e malditas
Num blablablá que a canalhice adora!
Conheço o ranço das feições contritas
E a pequenez de quem de raiva chora:
Não posso mais jogar meu verbo fora
Nem esperar sentado por desditas!
Eu quero é ter a consciência pura,
Poder deitar em paz no travesseiro,
Olhar o pôr do sol sem amargura,
Saber sorrir durante a vida toda,
Apreciar o meu silêncio inteiro
E o resto, com licença, que se foda!

Trajetórias
Creia, meu aturdido camarada,
Atravessei o cúmulo das ânsias,
Brandindo contra as insignificâncias
Minha incisiva e rutilante espada!
Retenho a fé de todas as infâncias,
Minha nau só por mim é tripulada
E ainda assim encara a frota armada
Dos que bebem o sumo das ganâncias!
Eu já vi o que viu aquela pedra
Em terras onde a própria Besta medra
Por não poder suster tamanho dano.
E se quiseres ver o que já vi,
Terias que viver o que vivi
Nas trajetórias do destino humano!


Último gole de café
Deixa-me, pelo menos, antes de partir.
Tomar mais um gole do meu café:
Ele concentra os dogmas da fé
Que daqui pela frente vou seguir.
Permita-me, também, que vá a pé,
Assim como uma espécie de faquir,
Para incansavelmente prosseguir
Às portas de um triste cabaré.
A Glória neste mundo é transitória
E a estultícia leva cara séria,
Basta consultar a história:
Os mais pedantes egos corrosivos
Estão afundados na grande miséria.
Do Calvário em que estão os seres vivos!


Um comentário:

  1. Parabéns, David!
    Mais do que merecida, homenagem..
    tum tum tum

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