DA SÉRIE POEMAS DE OURO

A verve do potiguar PAULO CALDAS NETO

I. 
Disfarcei marcas de mim
nas notas de um realejo,
no gosto daquele alfenim,
na infância que ainda vejo.
  
II.
  
Ó madrugada cigana!,
Que tanta ternura embala,
Apaga-me a dor insana
Que o peito viril exala.

***

EULÁLIA II (Sonetos-série)
  
Verso-umbilical esteve com ela agora.
Aliás, quem disse que já a abandonara?
Eulália fez seu destino azul afora,
vivenciando a ludicidade rara
  
nos contos que a benfeitora avó contara;
na fantasia, nas tramas, Teodora
estimulava-a no calor da alta hora,
com a contação que a leitora assim explora.
  
Vai entendendo a menina um lado de si mesma
ainda não tão evidente e, por isso, levita
a cada rabisco que preenche a resma,
  
que manuseia com ágeis mãos, e evita,
dulcificante, o divagar alheio, pois milita
e põe fim à estupidez dos sábios do presente.

2 comentários:

  1. Como sempre, a preocupação de Paulo Caldas Neto com as formas nos proporcionando belos versos.

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