DA SÉRIE POEMAS DE OURO


A verve do Poeta e jornalista RAIMUNDO LONATO

Parábola

Nesta manhã, perto do espelho,
abri a alma e me levantei.
Disse para mim mesmo:
 as mãos são campos verdes
vagarosas, pintam o arco-íris,
apagam enganos no pouso
imponderável das borboletas
nas tuas costas.

Ilude-me o corpo 
nas águas em tormentas.
Nas superfícies da vida
amanhecem novos ciclos.
Passam rios nos ares
dos meus olhos.
Qual o peso do mundo
na parábola que se curvou?
Inverto o céu e seus sinais.
Viver é agora.
Que ouviremos
um poema amanhã?


Amor no areal

Não esqueço do amor
que um dia adormeceu
em castelos construídos
no areal.


Das torres e castelos

Ouvimos palavras gravadas
nas pedras e versos calados
nos desertos da alma.
São complexos os tratados
e as verdades profanas  
jamais interpretadas.

(há momentos sagrados
na alma que vaga entre
torres e altares).

despeço-me das ilusões
e dos laços nos vestidos.

não sou mais a menina
boba que vive à espera
do príncipe das canções.

(sopra o vento rosários
 e lamentos).

não adoçam teus lábios
a sola dos meus pés...
a alma inteira chora
toda aberta no chão.

desliza na pele as águas
que lavam vontades
adormecidas no silêncio.


Serenidade

Além das asas há serenidade nos olhos,
a sabedoria nas mãos que trabalham
 a poesia  nossa de cada dia .
Há melodias... Pianos flutuam...
Caem notas, aconchegam- se
no vento, doam-se às estações
todo amor do mundo.
Não há surpresas nos sentimentos
 de paz e no conhecimento
de um poema que  brota no chão.



Mais de Raimundo Lonato • Raimundo Lonato é nordestino de Soledade-PB. Está radicado na cidade de Paulínia desde o ano de 1975. É Escritor, poeta, jornalista, ator e diretor de teatro. Escreve 18 livros nos gêneros poesia, infantil e juvenil e livro-reportagem. É animador cultural e participa de saraus realizados em várias regiões do país.


Um comentário:

  1. O poema Serenidade faz jus ao nome: é o que nós sentimos ao lê-lo.

    ResponderExcluir