SOBRE UM OVO • DE ANDRÉ ROSAS



Oh tu que matas minha fome
vindo com uma farofa de cebola
não resisto, meu olhar te devora
feito um canibal se sacia com quem come

Oh tua gema desce goela abaixo
duma forma clara, clara menina
te partindo ao meio rumo à  sina
numa frigideira vais cair num salto

e assim deteves o meu instinto
prato predileto do povo pobre
és a necessidade da gente nobre

e já não vale saber da galinha
que finalidade seu ovo teria
já que não pôde ter a chance de ser pinto.

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