Nada o que dizer


Um soneto de DAVID MOURA
Não tenho nada o que dizer agora,
Pois todas as palavras foram ditas
Por línguas escabrosas e malditas

Num blablablá que a canalhice adora!
Conheço o ranço das feições contritas
E a pequenez de quem de raiva chora:
Não posso mais jogar meu verbo fora
Nem esperar sentado por desditas!
Eu quero é ter a consciência pura,
Poder deitar em paz no travesseiro,
Olhar o pôr do sol sem amargura,
Saber sorrir durante a vida toda,
Apreciar o meu silêncio inteiro
E o resto, com licença, que se foda!


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