DA SÉRIE POEMAS DE OURO


A verve da Poeta paranaense ÍndiaOnhara 
Série - O Jugo das Chibatas II
.
Na penumbra de meus dias - te encontro
na tela de meus anseios
na cela das dores 
vencendo ansiedades. 

Ferida pela vida
busco nos detalhes 
- a beleza perdida.

Vidas expostas...
a preconceitos
a maus tratos
a desacatos 
a constrangimento 
e humilhação.

Gente essa, subjugada - 
por indivíduos de mísera visão 
onde a esperteza carmim
- impera 

...e a cada chibata 
de palavras 
e de atos cruéis
rasgam - se feridas
da carne de seus ancestrais.

A parcela desprovida 
de direitos humanos
cria a cria da geração 
com amor [que em si, carrega

e a mãe alva congela
pela ironia do destino 
a mesma cria que 
ao crescer, revela-se: fria].

Vidas
separadas
desperdiçadas
desmerecidas
ultrajadas
aprisionadas.

Vidas
com sede e fome
- de amor

que a caminho do nascer do Sol... 
toca em Mim a dor refletida de su’alma
e, na imensidão obscura
eis, que se faz a Luz alí 
— presente!

Série sujeita a alterações!
© Copyright 
31/03/2015


Navio Negreiro - 2015

Nos tempos que urgem
(1) "Estamos em pleno mar..."
.
Neste instável Universo
tudo acontece:
- brinca o menino 
de dourada esperança
e atrás de oportunidades vagas, ele corre inquieto inda, sob frescor juvenil -

"Estamos em pleno mar..."

Dos céus infindos 
- o Sol, a Lua e as estrelas saltitam
tal, luzes diamantes
e o mar revolto destes dias
acende ardentes fantasias - 
constelações do tesouro cobiçado.

"Estamos em pleno mar..."

Dos extremos e infindos universos
ali, entrelaçam-se numa costura insana
nesta teia invisível, tão desigual:
de nuances liláses, plácidas e sublimes.

Céus e mares unem-se
neste cenário deslumbrante
e o menino por instantes
esquece seu Mundo assustador.

"Estamos em pleno mar. . ."

Abrindo as velas da nau esperança 
no arfar estonteante das águas marinhas
o Barco jaz fétido de feridos
expostos, ao Sol escaldante
e, prossegue à deriva 
na vaga das ondas gigantes.

"Estamos em pleno mar..."

Oh, menino navegante! 
De onde vem? P'ra onde vai?

Das naus errantes faz-se órfão
e quem sabe de seu rumo
neste implacável Mundo famigerado?

"Estamos em pleno mar..."

Feliz daquele menino que alí
- pôde vislumbrar o mar e o firmamento
num vínculo de Amor!

Maringá, 24/08/2015

*(1) — Citação de Castro Alves, retirada do Poema - 
Navio Negreiro, e reportada aos povos africanos, que vivem o caos em busca de refúgio.


Sinais da Aurora 
.
E chegada é à hora em que sob denso véu 
- de pérolas perdidas -
a brisa resenha melancolia
no canto distante do bem-te-vi. 

É o encanto o perfume da vida que se esvai 
e sob triste luz rósea fere -
 a guerreira no silêncio da taba.

Chorarei solitária nos vastos jazigos 
em sítios, onde meus olhos não secam 
e deslumbram-me à luz da vida. 

Colherei frutos da mocidade
ao velho que já declina. 

Nuvens, céus, terras, rios e mares 
rugindo sons troantes em setas
rompem, o afresco da aurora.

Sinais guerreiros anunciam 
sob, a palidez das estrelas esmorecidas 

O porvir... rasgado 
em flores cor de sangue 
numa bárbara força oculta
[causam-me inquiro]
e os véus do tempo caiam: - gritos de alerta. 

Uma luz fugaz amolgada 
no campo denuncia 
a mão implacável do arco. 

No campo [em sangue]
águas lavam a Terra
e cá dentro, cantos entoam 
– qual força grande e
lágrimas movem a todos 
nas setas da aflição -

Da cultura dos campos, adestrada 
triste à roça do ausente
choro 
sob auspícios maus 
- órfão de amor de pai e de mãe -

Sangram as tubas do ermo errante 
no meu deserto de diamante
e como feras desfeitas são
— as pérolas...


Um comentário:

  1. Radyr querido, muitíssimo grata
    pela oportunidade de fazer parte
    desta Revista tão preciosa.

    🎶🎵🎶🎵🎶

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