DA SÉRIE POEMAS DE OURO

Sete poemas do Poeta mineiro/potiguar JOSÉ DE CASTRO
ESTAÇÕES
Um dia, quem sabe,
na lembrança de uns poucos
seremos apenas saudade.
Inda assim, onde as flores
se andam incertas as primaveras?  
Tristeza é nunca se fazer outono
para o desfolhar de sorrisos.
A vida se lembra de todos
os que souberam sorrir.
Nem que tenha sido
no inverno de suas próprias tristezas.
Os que sobreviverem, verão.  


ECO DISTANTE 

Sigo avante
nas correntes da incerteza. 

Navegar e
buscar o sonho é o que importa.

O remo fere fundo
o espelho das águas.

Espanto tristezas e mágoas.
Esperança hoje, quem sabe?

Desenho na memória o teu sorriso
e atravesso a bruma escura do mar.

Um eco distante se ouve.
Não sei se saudade ou gaivota a voar. 


ONDE ESTÁ O MEU AMOR? 

Sol se põe no horizonte
Com um brilho multicor
“Lá por trás daquele monte
Estará o meu amor?”

E então responde o vento:
"- Como é que saberei?"
E num suave lamento
Diz apenas: "eu não sei..."

 •
FEITO UM GATO NA NOITE

Feito um gato em noite sem lua
cá estou, meu amor a te procurar.

Acorrenta-me a agonia
da noite vazia e escura.

Árvore solitária, sou.
E não sei onde estás.

Feito um gato miando pra lua,
dói-me no peito a saudade. 
Até quando, até quando?
Ninguém sabe a resposta.


CAVALEIRO DAS SETE ESTRELAS

Cavaleiro das Sete Estrelas
Me diz onde está meu amor
Sete pedras de brilhante
Enfeitando o meu anel
De saudades o semblante
E um olhar tão distante
Escondido em sete véus.

Cavaleiro das Sete Estrelas
Me diz onde está meu amor
Voa longe o pensamento
Brilhando na lua cheia
Em murmúrios sopra o vento
Entoando um lamento
Feito canto de sereia.

Cavaleiro das Sete Estrelas
Me diz onde está meu amor
Vá procurar pelas ruas
Minha princesa encantada
Cavalgando sete luas
Traz sorrisos, alma nua
De esperanças enfeitada.

Cavaleiro das Sete Estrelas
Me diz onde está...
Me diz onde está...


JORNADA

Eu vou nessa estrada,
palavras ao vento,
perdidas num tempo,
na longa jornada
nem sei onde vou.

As crinas do instante
afago e solto
nas rédeas da rima
retinem os cascos
do meu alazão.

Poeira de versos
caminho se abre
horizonte explode
destino é espanto
em clarões de luz.


PRINCESA DOS REINOS DE ALÉM DOR

Que menina é essa
de olhos de nuvem,
contempla o horizonte
na fronte o mistério?

Que tristeza é essa
guardada no peito,
olhar tão distante,
perdido no tempo?

Montanhas ao longe
ecoam mistérios,
sussurram mil versos
perdidos no ar.

Escorre a areia
brancuras na duna,
delírios de brisa,
um sopro ao vento. 

Lembranças ao longe,
tristezas tão perto,
nostálgico peito
se abre em deserto.

Em silêncio a menina
se faz de princesa
dos reinos de além,
mistérios se ocultam

no seu coração.
O espelho dos olhos
reflete um brilho,
sonho apaixonado.

E tudo se esgarça,
e tudo se esfuma.
E o seu lamento,
se perde na bruma.

José de Castro, aprendiz de poeta. Autor de livros para crianças e para adultos. Publicou “Apenas palavras”, “Quando chover estrelas”, “Quem brinca em serviço”, alem de “A marreca de Rebeca, Poemares, Poetrix, Vaca amarela pulou a janela”, dentre outros. Membro da SPVA/RN e da UBE/RN. Contato: josedecastro9@gmail.com

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