DA SÉRIE DESPIDAS DE TUDO


VESTIDAS DE POESIA ♥ A verve sensual de CLAIRE FELIZ REGINA
A RECEITA DE BOLO
-
Meu vizinho queria fazer um bolo,
me pediu a receita.
Eu não tinha a receita,
mas eu tinha vinte anos!
Fui ajudar...
Não tinha farinha para ele amassar
com as mãos,
ofereci meu corpo
e ele amassou.
Não tenho açúcar, ele me disse,
ofereci meus lábios
e ele beijou.
Ele era bom cozinheiro,
pôs o leite para ferver,
o leite fervia no meu corpo inteiro.
Nós dois queríamos fazer o bolo,
mas...e a receita?
Ele abriu o caderno,
estava escrito,
me ama.
Não fomos mais para a cozinha
fomos para a cama.


A MULHER OBJETO

Primeira parte:
O que será que a agulha sente
quando passam a linha por ela,
será que ela sente dor?

Será que ela sente prazer?
Ninguém se preocupa em saber.
Eu sou como a agulha.

E quando a linha está passando,
eu finjo que estou gostando,
faz parte do meu trabalho.
É assim que pensam os insanos,

Estou casada há muitos anos.
Uma mulher como eu,
sempre mente.
Mente o que não sente,
mas sente muito o que mente.

Assim como a agulha,
eu costuro, lavo e passo.
E às vezes, até me entusiasmo,
mas meu marido nunca pergunta
se eu já cheguei ao orgasmo.

Ele me deixa no agulheiro.
Só trabalho quando ele quer.
E ele ainda me diz:
É para isso que serve a mulher.

Vou sair desse agulheiro,
procurar no mundo inteiro
o homem certo para mim.
Sem essa de meu marido,
sem essa de minha mulher.
Agora, no buraco da minha agulha,
só vai passar a linha,
o homem que eu quiser.


AMOR DE POETA

O amor,
quando cantado pelos poetas,
tão ardente,
parece por eles
ter sido inventado.
Mas já disse ao contrário
um profeta:
Se não fora o amor,
jamais haveria um poeta.



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