DA SÉRIE DESPIDAS DE TUDO

VESTIDAS DE POESIAA verve da Poeta Dhenova

Quando calo
  
Atirada ao espaço
solta dos galhos
em raivosa lufada
céu escurecido
vermelhos os raios
pressinto o perigo
bato no chão
e grito

Enrolada na areia
perco a direção
cada grão incendeia
picada de abelha
e maré cheia
verde corpo no mar
vou na contramão
batizo sentidos
e grito

Mergulho no gelo
marcada por dentes
carrego nas mãos
poesia demente, rasgada
esvazio as quadras
clichês e rimas
esqueço das mágoas
das guerras e fadas
quando calo em mim
o mesmo grito.



Dos buracos e falhas

asfalto esburacado
cinza esverdeado
iluminação parca
estrada longa
íntimo à margem

e os carros passam...

inventei três vezes
a mesma mentira
envolvi meu eu
de forma desmedida
busquei alívio
emoção dividida
equacionei a fórmula
e fui vencida

foram-se os quilômetros
sentimentos frágeis
amanheceres sem bônus
o sol nascendo metade
eu, tão sem dono
engolindo mares e mares

enredaram-se dias, noites
tão fugazes...

dos buracos e falhas
aprendi com a vida
o que não acaba
nem sempre
vira ferida.



Arco-Íris no Inferno

Nos olhos do diabo
eu gozei
com estardalhaço
gritei
inerte nos braços
vaguei
presa ao laço
ah, eu fiquei

queimada em ardores
permaneci
morri à míngua
eu me perdi

entre os mortos
odiei
em cada passada
ah, eu paguei

açoite de cores
não esperava
azul escuro
verde ou mostarda

sorri ao muro
e virei piada



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