DA SÉRIE DESPIDAS DE TUDO


VESTIDAS DE POESIA CLAUDIA MANZOLILLO, ÍNDIAONHARA e HILDA HILST esbanjam sensualidade...
RAMA ANTIGA
CLAUDIA MANZOLILLO
Escava-me,
Crava-me
Dentes, língua e sal
Que me refaço das ruínas.

Essa densa sebe
Que me esconde
E encobre,
Afia a lança
E corta-a sem pejo.

Lá onde
O escuro habita
Encontrarás aquela
Que amarga à espera.

Mata-me a sede secular,
Roda a esfera que a cabeça gira,
E o corpo é porta e fonte.

Verto-me em teu cálice,
Bebe-me, traga-me inteira:
palavra, hálito, sopro, vida!


ESPELHOS
ÍNDIAONHARA
Num cenário de nuances delicadas
em tons blues, lilases e carmins,
os cheiros embriagam os sentidos e,

refletem no espelho as linhas dos tempos idos.

Silenciosos,
nos encantos perdidos
e encobertos de - lírios, descortinam
gemidos, destemidos.

Nos olhares intensos - selados em homessa;

suculentos lábios de cores mescladas,

de almas e desejos ardentes,
na pele de homem e de mulher
desnudos, entrelaçam-se
em sussurros, beijos e abraços.

Na palidez & êxtase em cumplicidade,
e no desejo voraz em gotas de embriaguez,
espargindo doce lavanda de suor e de prazer,
a pureza & a impureza enlaçam os poetas,

num cálice de cheiros, tatos e olhares em delírio.


DEMORA-TE SOBRE A MINHA HORA
HILDA HILST
Antes de me tomar, demora.
Que tu me percorras cuidadosa, etérea
Que eu te conheça lícita, terrena

Duas fortes mulheres
Na sua dura hora.

Que me tomes sem pena
Mas voluptuosa, eterna
Como as fêmeas da Terra.

E a ti, te conhecendo
Que eu me faça carne
E posse
Como fazem os homens.

Da morte. Odes mínimas. (1980)

Um comentário:

  1. Uau! Linda postagem...
    Radyr querido, muito grata pela honra
    de participar desse trio... e pelo privilégio
    em fazer parte dessa Revista maravilhosa.
    Parabéns! 🌹

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