DA SÉRIE DESPIDAS DE TUDO ♥ VESTIDAS DE POESIA


A sensualidade de FLÁ PEREZ
Rhodes

Ele é enorme 
e aperta o corpo 
– pedra– 
contra o meu. 
E me machuca. 

Ele abre o zíper 
e esse Colosso 
de pé 
na entrada da cidade 
assusta um pouco. 
Mas eu avanço. 

É que o gigante 
fala coisas 
no diminutivo 
(— bucetinha, bucetinha, bucetinha) 
em meu ouvido. 

Então me rendo 
– acho 
que não sou boa da cabeça –


Conto de Adeus

Assim deixei-o:
nas mãos, o sapato pequenino
insinuando que tudo era de tamanho igual.

Não sou aquela que em frente ao espelho se pergunta 
“quem é a mais bela?”e coisa e tal.

Perdeu a chance de ver a marquinha
(branca como a neve)
do biquíni fio dental.

Um bruxo deu-me a maçã encantada
e da princesa 
não sobrou mais nada.

Perdeu seu primeiro conto de fodas,
pois o feiticeiro tem boa pegada,
mãos de bandoleiro
e já me levou pra estrada.


Nem Morta

Se o destrato desse modo impiedoso
(na frente de todos)
é para que fique óbvio e não haja dúvida
do quanto o odeio e dele tenho nojo.

Há quem o queira, é claro: ele não é assim tão feio.

Mas minha repulsa é tanta, 
que eu me molho toda
imaginando a língua deslavada e suja
abrindo-me as pernas e a boca à força,
depois de andar por entre outras garotas.

Então eu sofro da abastança insossa,
de esquecê-lo rápido e em vários copos, 
farto-me dele em outros tantos colos,
(ele afinal não é nenhum Apolo!).

Só não admito, nem a mim confesso,
o gozo intenso que me atravessa 
– e o nomeia – 
em noite insone de lua nova e cheia,
um pouco antes que eu adormeça.

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