DA OBRA DE PAULO MIRANDA BARRETO

SORAIA SEREIA
Na imagem Nassary Lee Bahar, outubro 2013. Solar Bela Vista - Natal.

‘’a vida é tão curta quanto a tua saia’’
mas inda te enfurnas no quarto dos fundos 
e segredas versos à uma samambaia 
alheia a beleza de bilhões de mundos 

que pairam no espaço infinito, Soraia 
enquanto  teu corpo perfeito definha
enquanto  teu corpo moreno desmaia
de tédio na cama em que dormes sozinha. . . 

à espera da morte, vives de tocaia
não sabes o nome da tua vizinha
se a lua está cheia, se o sol inda raia 
ou se a humanidade rasteja ou caminha 

e o que só deus sabe e ninguém adivinha
é o quanto te amo . . . te amo Soraia!
e tudo eu faria pra que fosses minha
moveria os montes de todo o Himalaia

mas, tu sequer lembras da força que tinhas
dos velhos amigos, da casa na praia 
de nós vendo estrelas, catando conchinhas
sentados na areia e ouvindo Tim Maia. . .

lembro-me de tudo, de cada coisinha
das tuas blusinhas tomara que caia. . .
dos teus lindos brincos de água-marinha
de todas as flores que te dei,  Soraia

mas, agora o medo dentro em ti se apinha
te rói ,te espezinha, te prende à uma teia 
e tu já não ousas . . .  não cruzas a linha
tu és prisioneira . . . e a própria cadeia

e a minha esperança morre . . . pobrezinha
poema de amor que não tem quem o leia. . .
peixe fora d’água . . .  sol que se esfarinha
e morre a esperar-te, Soraia . . . sereia.

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