A POESIA DE TRÍCCIA ARAÚJO



Ser como a chuva que aguarda
- dentro da nuvem escura -
o seu íntimo acontecimento...

Diluir os pingos
na pele-deserto
e descansar a cabeça
num redemoinho.

Ouvir a chuva caindo...
A chuva caindo...
Caindo...
E despertencer.


Temi, desde o começo,
ser entre os teus dedos
pássaro sem nome
a cantar sem voz
no invisível jardim dos dias.

É que todo amor
pede a lucidez de um girassol
e a leveza de um sonho
em vertigem...


Compreenda o meu amor,
como eu compreendi a irmandade das árvores
que colhem o voo maduro dos pássaros,
no fim de cada dia.

Entenda a complexidade do meu sentir
como eu entendo a relutância do vento
ao afundar embarcações em mar aberto,
num dia de sol.

E saiba que te quero tanto, tanto,
a ponto de conjugar este verbo
no contraditório. Perdão,
não sei disfarçar meu desejo.

Encerro a imensidão
das coisas vazias de tua presença
e te escrevo poemas inteiros,
que não leio...

É que toda estrofe termina
na sombra de uma saudade.


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Mineira, graduada em Letras (2011) e Psicologia (2017), pela Universidade Federal de Uberlândia. Escreve desde 2004. Publicou em algumas revistas regionais, versão eletrônica e impressa.
“Talvez o mais importante a saber sobre mim é que sou movida à arte. Tudo o que envolve o humano, na sua condição mais criativa, me cativa. Para além disso, vivo como quem nasceu para observar as miudezas das coisas. O invisível me comove e, depois, me seduz. Tenho uma paixão infinita pelos pássaros. Creio que habito as árvores, cada vez que fico em silêncio. Tenho mania de eternidades...” [Tríccia Araújo]

3 comentários:

  1. Muito obrigada! Estou feliz demais por estar aqui, entre tantas pessoas talentosas. Um abraço :)

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  2. Parabéns Tríccia! Vc é grande talento!

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