Sinais da Aurora - ÍndiaOnhara



E chegada é à hora em que sob denso véu 
[de pérolas perdidas] 
a brisa resenha melancolia
no canto distante do bem-te-vi. 

É o encanto o perfume da vida que se esvai 
e sob triste luz rósea fere — a
guerreira no silêncio da taba.

Chorarei solitária nos vastos jazigos 
em sítios, onde meus olhos não secam 
e deslumbram-me à luz da vida. 

Colherei frutos da mocidade
ao velho que já declina. 

Nuvens, céus, terras, rios e mares 
rugindo sons troantes em setas
rompem, o afresco da aurora.

Sinais guerreiros anunciam 
sob, a palidez das estrelas esmorecidas 

O porvir... Rasgado 
em flores cor de sangue 
numa bárbara força oculta
[causam-me inquiro]
e os véus do tempo caiam 
— gritos de alerta. 

Uma luz fugaz amolgada 
no campo denuncia 
a mão implacável do arco. 

No campo [em sangue]
águas lavam a Terra
e cá dentro, cantos entoam 
– qual força grande e
lágrimas movem a todos 
nas setas da aflição -

Da cultura dos campos, adestrada 
triste à roça do ausente
choro 
sob auspícios maus 
— órfão 
de amor de pai e de mãe -

Sangram as tubas do ermo errante 
no meu deserto de diamante
e como feras desfeitas são
— as pérolas...



3 comentários: