Rábula - Nassary Lee Bahar




Flores, papelão, flores.
Bolo, chão, papelão, cores.

Que ali jaz de velório?
Que ali traz de simplório?

Ramalhete, um vulgar – resto de vida
Bracelete, a deixar – resto de Cidra

Quem, trapeado na grama, sonha faminto?
Quem, consumado no drama, abandona infinito?

Imagino, tão só, peregrina...
Flores, cujos nós passo por cima.

“Bolo” de flores e “chão” de cores.
Existir: “papelão” de horrores.

Merteiro, senhor de vontades, dialética.
Cena, lei de covardes, estética.

("Entre becos e sonhos", 2014)


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