A poesia carnavalesca de Eliete Marry


A máscara do Alerquim

Pobrezinha da Colombina pensou mora no paraíso
Foi triste a sua sina
Entregou-se ao Alerquim
Esbanjava felicidade
Mas de visita ao passado
Encontrou uma carta do Pierrô
Declarando-lhe seu amor
A Colombina encheu-se de ansiedade
Sonha um dia retornar à cidade
Brincar novos carnavais
Rodopiar nos salões
Enfeitiçar os rapazes
Quiçá, ganhar um beijo do Pierrô
Mas a máscara caiu à moça já descobriu que o Alerquim trabalhar não quer
Preguiçoso e fanfarrão
Quer viver de Carnaval o ano inteiro sustentado pela mulher!


Um conto de Carnaval

Das terras do além-mar a história resiste a contar
Um mundo dividido entre patrão e serviçal
personagens viram estrelas de carnaval

Pantaleão esbanjador de riquezas, fino galanteador
Um charmoso mercador de Veneza e avarento patrão
Um triângulo amoroso unido o destino de três serviçais

Pierrô bom moço muito ingênuo e apaixonado
sai pelas ruas trajando finas roupas de saco
Seu rosto pintado de branco
Nunca usa máscara apenas disfarçar o imenso amor pela colombina

Rompe as madrugadas, escreve cartas a sua amada
Desprovido de coragem, não lhe entrega jamais
No centro do triângulo amoroso brilha a inteligente e linda Colombina, Iaiá dama da filha do patrão

Moça fina e bem trajada, esbanja beleza por aonde passava despertando paixões
Apaixonada pelo Arlequim, amada por Pierrô
A Colombina encanta, dança e enfeitiça corações

Alerquim moço fanfarrão e preguiçoso
Ora bobo ora espertalhão
Bastou-lhe um beijo, no baile de carnaval, roubou o coração da Colombina
Deixando o pierrô chorando de amor pela amada dançarina.


Entre o sagrado e o profano

Vamos lá José
Deixa a Maria sambar
Viajar à Bahia
Dança afoxé
Hoje é sexta-feira
Já é carnaval
A menina gosta de descer a ladeira
Enfeitar suas madeixas
Ora, homem não há nada mal
A juventude é passageira
José, já foste jovem um dia
Para com tuas besteiras
Quatro dias passa rápido
Ainda mais se é na folia
[...]
O Senhor do Bonfim te abençoe Maria
Mas não te esqueças depois da terça
Passa na igreja sem pressa faz tuas preces
Mas só me apareças na quarta-feira com a cruz de cinza na testa!

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