A FEBRE AMARELA - SUZANA RABELO


Somos os velhos primatas
embora nos esquivemos sempre
de voltarmos – à mata? -

Febris ardemos por entre ruas
perdidos entre ciências e luas;
sendo sem definitivamente ser
teimamos em resistir - e existir!

Por segurança – insegurança -
preferimos as tocas, e ir
tocando o bonde, até ver onde!

Somos os bons velhos primatas
ainda que não nos vejamos
com o mesmo olhar roto - o de
quando olhamos os outros!

Somos os velhos primatas
insistindo em perder pelos
tecendo novelas, novelos;
lixando unhas e cabelos... -
amarelamos,

sem compreender a contento
o uso da gravata, o salto,
a fantasia do sonho, a bravata,
o altar, e o porquê de
porque haver tantos conventos!

Há um elo-perdido perdido
- inacessável - e assim
sentimo-nos vendidos
chipados, e miseráveis!

Somos os velhos primatas safados
reproduzindo quase feito ratos
apesar dos apesares!

Não nos safamos bem
dos laços invisíveis
da coleira no pescoço
das pontes de safena.
O que é uma pena!

Porém, a gente desconfia - de ser um
"osso enterrado no quintal dos outros”
mas somos os velhos primatas, safos!

E frequentemente arranjamos jeitos
de remendar a rede - e o !coração;
protelar dívidas, a solidão;
encontrar saídas, descomplicar
sob secas e chuvas torrenciais,
teorias, teoremas, fórmulas, esquemas;

criamos hediondos problemas
solucionamos mil e um dilemas
inventando novos!

A gente é bom nisto.
Aprendemos cedo –
a viver pisando em ovos!

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