A POESIA DE TEKA ROGEL

Parti sem procurar saber
Onde o destino me levaria.
Rememorei antigos tempos,
nos quais o amor era a mola mestra...
abri portas da alma
Brinquei com deuses e deusas.
Adentrei os pórticos do Universo,
restritos, insondáveis, inenarráveis.
Tremi, ante o temível,
ardor do desconhecido.


Assim sendo o poeta aquiesceu.
Homem-menino deitou-se ali,
na gramada verde
sob a luz do céu aberto.
A musa dos seus sonhos
fez-lhe companhia.
O luar rasgou o véu da noite
Ele, o menino-homem
rasgou o véu da musa.
Seus pensamentos foram
varridos pelo vento.
Seus medos, escritos na areia,
maré cheia apagou.
Acolheu a musa em
braços ardentes,
a brisa trouxe-lhe a
influencia do mar.
Sem palavras, sem segredos
sem lavras, sem medos.
Ao sabor da brisa..aquiesceu.
Deixou-se levar!


NENHUM DE NÓS!

Tenho duas estrelas,
para iluminar meus caminhos...
E diferentes estradas a percorrer!

Nenhum de nós permitiu
Explodir no peito o extremo da ira.
Não que desejássemos ser omissos nem que,
houvesse em nós uma máscara de
união pacificando a massa
miserável e sofrida.
Decidimos travar calados
o enfrentamento do horror da exclusão.
Nada que em nós fosse tão casto,
ou que almejássemos a perfeição.
Só queríamos neste país,teto,trabalho,
agasalho, amor e pão!


Estou enfermo de mim!
Meu sangue pulsa nas veias e meu cheiro estendido na estrada busca um resquício de afinidades,de sociabilidades.
Desfaço-me dos meus varais de sonhos, habito em minha própria morada.
Descubro-me permeando um universo em que a dor e o medo são imposições, implantações de desenganos,
imperceptíveis ao emaranhado em que teço minha rede, aos fios nos quais meus ideais se entrelaçam e se perdem.
Deuses do Olimpo visitam a nudez dos meus varais e do limbo, meus temores irrompem como jatos vulcanizados.
Mãos febris abrem portas labirínticas de mim, meus fantasmas sondam ruas, becos e vielas vazias.
Vadias de mim!
É tarde para que eu forme meus varais em quintais enverdecidos, nichos de finos linhos.
Enfada-me este abrir de portas que dão para o nada, este sem fim labiríntico, esta estupidez sobre o vago.
Ouço-me em meu silêncio...reclino-me em meu abismo.
O eco do meu vazio me preenche, me basta.
Sou invisível de mim e o que tenho para ser é o quero ser...
Alma em busca de ilha perfaz o total de mim!


Bem sei que tu velas meu veleiro,
anjo taciturno e inóspito.
E dos meus abismos ao redor,
às beiras todas, aguardas!
Olho-te  do meu silêncio, não te temo.
Trago comigo os pesares todos e,
dos meus abismos ao redor,
às beiras todas,
te aguardo!


Todo este amor é meu desatino
Produz lagares dentro do meu peito
Transborda mares nas canções do leito
Nas noites tristes em que me declino.

Todo este amor que se fez bendito
Criou raízes entre sol e lua
Lavrou em prosa, se fez infinito
Na verve lânguida de minh'alma nua.

Todo este amor tem como resposta
A força dos mares a fúria dos ventos
A alma rasgada em ferida exposta...

Todo este amor escravizado no tempo
De um poeta triste que esta dor suporta
Que lança aos ares seu cruel lament


2 comentários:

  1. Grande criadora de poesias e encantamentos. Amada amiga.

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  2. Uma mulher que emociona com o que escreve, com o que vive, com o que é...Sou fã assumida!

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