CRISTAL • DE NASSARY LEE BAHAR


NASSARY LEE BAHAR acredita que as grandes festas de Natal recriam um momento propício à celebração da vida com o nascimento da figura de um Cristo de Redenção. Mas essencialmente à renovação da fé e autorreflexão para uma esperança cada vez menos fragilizada e centrada em tempos melhores ao mundo. Por isso, normalmente seleciona poemas que fogem da tradicional felicidade plena que sugere este tema natalino.

*Poema inédito, recém  publicado na coletânea "Espontâneos de Natal" em Portugal.


O trabalho, quando bem concluído, cristalizado está.
As lágrimas, quando não mais participam presas da agonia no peito,
cristalizadas ficam no rosto.
O amor, quando mais forte e intransponível de obstáculos,
deixa de ser um cristal frágil. Vence!
A amizade verdadeira é um cristal precioso; uma jóia, que ao contrário do amor,
primeiro é forte, uma rocha, antes de arrebentar ao peso da discórdia.
A vida é um cristal pequeno e divino nos braços de uma mãe.
A vida, quando ultrapassa o aconchego do leite, é um cristal maravilhoso.
O qual temos medo de lapidar com erros, transformando-o em proveitoso leito.
As palavras belas, e com forças de leis, são cristais ao vento e aos corações com ouvido.
Os corais, fortalecendo as profundezas num tapete de abrigo colorido, são cristais...
A liberdade, sem mais, é um cristal no meio das escolhas.
O pensamento, livre, cristaliza nossas emoções, sentimentos.
Os enfeites natalinos, frágeis como cristais, são o que dão vida ao verde.
O perdão, quando maduro, é um cristal autêntico.
A rocha, como aquela velha amizade que concretiza cristais entre as pessoas,
Também reúne cristais de minerais no meio da Natureza.
A alma cristaliza em si o conjunto de pedras de tudo aquilo o que somos 
como num colar de contas sem fecho.
O açúcar, quando cristalizado, é ainda mais doce...
A infância é um cristal de açúcar.
A saudade? Estou aqui do teu lado agora.
Mais presente do que um buquê.
Cristalizo em pétalas de boas lembranças.


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