CANTIGA DE DES(A)FIAR ANO NOVO

Por *José de Castro

E quando eu desembainhar a espada
verei o brilho de um novo tempo 
no gume da vida, no fio da estrada.
Traçarei novos rumos, nova sorte
e terei asas nos pés e lâminas de corte
para furar os caminhos, bailar ao vento
no fio da brisa, na sombra do espanto.
Nos cabelos da noite se entrançam ternuras.
E sobem feito o fumo do açoite de
gotas perenes de encanto nas dobras
do ano que soçobra e do outro que nasce
por entre o fogo dos teus olhos de cobre.
Um brilho refulge no tempo que urge
e ressurge o grito calado, sem jeito,
espada fincada, saudade rasgando o peito.
Quando eu desembainhar a espada
reabrirei as feridas ocultas da alma
que vagueia sem rumo pela estrada.
Quem sabe, ferir os pés do destino com o desatino
do cavaleiro sem graal a beber o tempo
no cálice do cristal da espera.
Um novo caminho rebrilha no gume da estrada.
Esperança é poeira de luz.
Névoa fina que anuncia a alvorada.

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(José de Castro, aprendiz de poeta. Membro da SPVA/RN e da UBE/RN. Autor de livros para crianças (A marreca de Rebeca, Vaca amarela pulou a janela, dentre outros)  e para adultos também (Apenas palavras e Quando chover estrelas). Contato: josédecastro9@gmail.com)

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