EDNALDO CORDELISTA X NATAL BARROS

(Nos dez de queixo caído)

Ednaldo Cordelista
Sou a bomba de Hiroshima
Tremor que abala o chão
Tsunami no Japão
Sou peso que vem de cima
Sou desconcerto na rima
De poeta convencido
Do trovão sou estampido
Sou incêndio no capim
Sou pior pra quem é ruim
Nós dez de queixo caído

Poeta Natal Barros
Hoje, vou levar perigo
A um poeta muito moço
Cuidando do seu almoço,
Apesar de ser amigo
Eu vou lhe impor  um castigo
Que será bem merecido.
Devo ser obedecido
Na cultura do cordel
Não sou qualquer menestrel
Nos dez de queixo caído.

Ednaldo Cordelista
Sou bote de jararaca
Cabeçada de carneiro
Sou o pior desordeiro
Que mata de soco e faca
Sou eu chifrada de vaca
Brava depois de parido
Com o filho recém nascido
Defendendo a sua cria
Sou o rei da Valentina
Nós dez de queixo caído

Poeta Natal Barros
Sigo os passos de Eloim
Sem jamais fugir da linha
Hitler pra mim foi fichinha
Fui eu quem cercou Berlim
Em Mussoline dei fim
Disso, o mundo tem sabido
E me tem reconhecido
Como o promotor da paz
Igual, no mundo, quem faz?
Nos dez de queixo caído.
  
Ednaldo Cordelista
Sou poeta respeitado
Ganhador de festivais
Comigo menos é mais
No cordel já fiz mestrado
Também já fiz doutorado
Hoje sou reconhecido
Nós lugares que tenho ido
Você não passa no teste
Sois pior do nordeste
Nós dez de queixo caído

Poeta Natal Barros
Não sou de aguentar esporro
Eu tiro o couro do Ednaldo
Boto sal e faço um caldo
Pra alimentar meu cachorro
Tenho certeza que morro
Sem no mundo ser vencido.
Ednaldo está é perdido,
Pois nele botei a mão.
Mato mais que Lampião
Nos dez de queixo caído.

Ednaldo Cordelista
De você não tenho medo
Pode arrotar valentia
Mas deixe de latumia
Pois eu não sou seu brinquedo
Hoje vais dormir mais cedo
Com dor no pé do ouvido
Comigo encontras marido
Pirão pra tua tigela
Tampa pra tua panela
Nos dez de queixo caído

Poeta Natal Barros
Vou te dar uma rasteira,
Dois chutes na sua bunda,
Três lapadas na corcunda,
Quatro tiros na moleira,
Cinco trancos na traseira
Seis rodões no pé do ouvido
E sete no "possuído".
Oito pauladas nos dentes,
Nove peias nos parentes
Nos dez de queixo caído.
  
Ednaldo Cordelista
Sou prego no seu sapato
Furada no pé da unha
Contra a tu sou testemunha
Que te incrimina no ato
Impeachment no seu mandato
Destituição do partido
Sou delação de envolvido
Pra você eu sou cafurna
Derroto você na urna
Nos dez de queixo caído

Poeta Natal Barros
Sou berne na sua coxa,
Pulga em seu canto de unha,
Machado pra sua cunha,
Sou pulga em novilha roxa,
Roupa suja em sua trouxa,
Sou a dor do seu gemido,
O pavor do seu latido;
Para seu coice, sou prego;
Cangalhas, pra ti, carrego;
Nos dez de queixo caído.

Ednaldo Cordelista
Sou tição em brasa viva
Bafo de panela quente
De noite sou dor de dente
De dia sou uma ogiva
Sou furada na gengiva
Formão de aço fundido
Pra mulher sou bom marido
Pra você sou sua morte
Não acho quem me suporte
Nos dez de queixo caído

Poeta Natal Barros
Eu sou tiro à queima-bucha,
Sou pimenta no seu olho;
Bufa de ovo com repolho,
Espoleta de garrucha;
Sou valente igual Duducha.
O meu chicote é doído.
Eu vou lhe deixar moído
Feito milho para pinto.
Hoje, lhe pego de cinto
Nos dez de queixo caído.

5 comentários:

  1. Hahaha. Muito bom. Parabéns Parabéns dois poetas.

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  2. Simplesmente sensacional.
    Agradecemos o carinho

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  3. Parabéns muita satisfação em ler suas poesias amo todas

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    1. Saiba que isso só nos incentiva a escrever cada vez mais.
      Em meu nome, em nome do poeta Natal Barros muito obrigado.

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  4. Espetacular página. Adorei o trabalho. Parabéns grande cordelista/poeta brasileiro. Aquele abraço.
    BENTO JÚNIOR
    e-mail: bentofilho.carvalho@gmail.com

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