TRÊS POEMAS

Da poeta polonesa ANNA ŚWIRSZCZYŃSKA
EU CAIO NA TERRA

Eu caio no chão,
de boca na terra preta.
Falo: Deus, que não existe,
não deixeis os homens
me maltratarem.

Deixai que eu caia com as mãos primeiro,
deixai-me ser queimada
por um raio.

Eu caio no chão,
de boca na terra viva.
Falo: Deus, que não está
na estrela mais distante,
que está em mim,
Deus perfeito, tanto quanto sou ímpia
Deus cruel,
te ofereço um sacrifício de sangue
a maior alegria
da minha vida.


ESTOU REPLETA DE AMOR

Estou repleta de amor
como uma grande árvore ao vento,
como uma esponja no mar,
como o grande sofrimento da vida,
como a hora da morte.


DANÇA DO ASSASSINATO

Vou embora.
Você não me fez sofrer,
então não espere que eu
te odeie.
Esse também é um presente grave.
Acho que você não vale a pena
coisas tão custosas
como rasgar um corpo vivo.

Foi fácil matar você em mim.
Purificada
eu danço alegre a dança do assassinato.

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