TRÊS POEMAS DE JÚNIOR DAMASCENO

PARAHYBA

Parahyba, Capital,
Mais interior do que
Caicó arcaico.

Tambiá, Tambaú,
Varadouro, Manaíra,
Jaguaribe Carne.

Ponta dos Seixas,
Ponto dos Cem Réis,
Ponto de vista.

Se não fossem a cruz e a espada
E os canhões de Catarina,
Ainda serias Frederica?

Fantasmas infestam
O centro histórico,
Turistas passeiam.

Crianças invadem
As ruas da cidade,
Turistas fogem.

Na solidão da noite,
O Poeta caminha,
Augustamente.


ESTRELA DA MANHÃ

Às vezes tento lembrar do teu rosto
E não consigo.
Você foge.
Some.
Como naquela manhã
Em que você seguiu
E deixou a beleza do teu sorriso
Guardada para sempre comigo.
Depois você volta.
Toda.
Inteira.
Como naquela mesma manhã
Em que tuas lágrimas molharam
Teus olhos de menina
E eu viajei no teu corpo
Sem medo de que aquela
Fosse a derradeira.
E é nestes momentos
Em que você aparece inteira
Que percebo o quanto a vida
É ilusória e passageira.
Não deveria haver separação
Nem aquela estrada terminar.
Bem que você poderia,
Minha estrela da manhã,
Ter me carregado
No carinho dos teus olhos
Para uma viagem sem fim.


ANTECICUTA 
           
Já li Saint-Exupéry    
Aquele de Terra dos Homens.
Hoje tomo Augusto dos Anjos
Em doses homeopáticas.
Pois a morte é certa
Os dias incertos
E, sobretudo, não tenho pressa.

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