TRÊS POEMAS DE JOSÉ DE CASTRO

CARVÃO E BRASA

num dia fênix
tu tiveste teus momentos
de carvão e brasa.

hoje, tuas asas se desfazem em pó. 
e o vento que te sopra para longe
é o mesmo que um dia veio te buscar. 

e agora me perguntas
para onde vai a chama
que se apaga. 

quiçá reinagure 
brilho de sonhos
em mundos de menos pesar.


SALTO QUÂNTICO

onde a luz explode e se desfaz
em nuvens de êxtase e agonia
e nem se sabe se é noite ou se é dia

onde o mar se doura em brilho,
onde o trilho engole o destino,
onde a sorte se faz em desatino

onde o pássaro teme o precipício,
onde não há bússola que aponte
o norte e nem a linha do horizonte

onde quase tudo o que se pensa inexiste,
e não existe quando nem mais por onde
e nem sombra do augúrio que se esconde

aqui, onde a geografia se ancora no sonho,
nesse lugar fora do mapa, quase impossível,
vou em busca do amor, esse abismo indescritível.


LÉXICOS

e a vida segue 
anônima, atônita, átona. 

não se adjetiva
a dor da ausência. 

a dor é substantiva
direta. 

feita verbo, 
permanece.

-
JOSÉ DE CASTRO Autor de livros para crianças e para gente grande também. Publicou "A marreca de Rebeca" e "Vaca amarela pulou a janela",além de "Apenas palavras" e "Quando chover estrelas". Membro da SPVA/RN e da UBE/RN. Contato: josedecastro9@gmail.com


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