SE ESCREVO...

Um poema de RUTH CASSAB BRÓLIO

Porque o faço num turno tardio,
sem nenhuma pretensão,
ainda pelo ardil oportuno
a pueril artimanha
ao dar ouvidos à forma
de ver e expressar a meu modo
o que, por certo,
todo mundo já viu.
Perpétuos centros
de universos próprios,
reis sem cetros, coroas ou mantos
somos também réus confessos
da mesmice da solidão.
Nossos ecos escorrem, percolam
por desertos estranhos, extensos, perversos
( e às vezes aqui bem perto)
à busca de interlocutor.
Que em tempo de tantos recursos,
somos mudos, escravos, reclusos.
E a poesia,
é só via, vala comum, dupla mão
(- ou não, assim diria Caetano...)
como um telefone sem fio, linha reta,
que fale a linguagem das almas
sem intermediação nenhuma.

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