PASSAGEIROS

Um poema da escritora JANAÍNA DA CUNHA

Minha mão se calou diante
da despedida
e o aceno do adeus
paralisou na estação.
Meu coração conhece o medo de ir embora,
mas meus sonhos não
o permitem parar.
Alimentei minha saudade
só para não perder
a canção.
Tudo passa,
sempre passa
e os passos passam
passo a passo.
Eu vou, mas volto... 
ou não.
Toda vez que volto
estou partindo
e toda vez que parto
de algum lugar
volto para mim.
De partes em partes
monto meu próprio
quebra-cabeças.
Não me espere para jantar,
eu como no caminho.
Caso demore,
acenda as estrelas
e apague o cigarro.
Há uma festa em cada idade.
Quanto mais se vive,
mais se chega ao fim.
Quanto mais se aproxima o final,
mais se quer voltar ao começo
e recomeçar.
Eu vou, mas volto... 
ou não.
Tudo é passageiro
e nessa passagem
somos todos passageiros
dessa embarcação.


Um comentário:

  1. Belo texto filosófico. Não parece ter sido composto por uma jovem, porque ele é maduro. Há certa melancolia, melancolia igual a de todos os homens quando param e pensam na morte.

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