O AMOR DE MONNY

 Um poema de RAIMUNDO LONATO

A índia Monny usava
penas de ema e pavão
colares de dentes,
anéis de serpentes,
e unhas de gavião.

Sabia dos mistérios
das almas na selva,
sentia as estrelas
na palma da mão.

A luz dos seus olhos,
chegava às nuvens,
aos pés dos índios
e ao coração.

Na dança de Tupã
girava os braços
adornados com
fios de lã.

Dormia em taperas,
não via perigos
na escura manhã.

Os índios menores
no meio das grutas.
recebiam de Monny,
peixes e frutas.

Entre palmeiras,
cactos e coqueiros
a índia Monny ouvia
canções de amor

dos lábios do índio
que imitava cavalos.
e cheio de calos
andava a dizer:

'pocotó','pocotó','pocotó'...

A índia Monny
cansada de ser só,
soltava  os cabelos
no meio do pó.

Logo ao amanhecer,
 ouvia o repeteco:
'Pocotó', 'Pocotó...'

Sem tréguas, sem réguas,
iluminavam-se as águas,
as flores e as ervas.

Jovens e velhos
deixavam de pescar,
caçar e correr.

Monny tornou-se mulher
no dia em que se casaram
a lua e o sol.

As ervas, as pedras e a selva
ouviam dezenas de vezes:
 "Pocotó", Pocótó", "Pocotó".

Um dia, o guerreiro
 vindo das  montanhas,
sem nada dizer, despertou
no corpo e na alma
o amor de Monny.

O sopro do vento
sem pena e sem dó
deixou no silêncio
a palavra pocotó.

3 comentários:

  1. Este poema será editado em livro com lançamento previsto para a Bienal do Livro 2018 em São Paulo.

    ResponderExcluir
  2. Amei este poema Raimundo. Lindo demais. Doce e puro.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Claire. Escrevi esse poema depois de contar repetidas vezes a história do índio Pocotó, para as crianças de uma igreja de origem oriental. Seria um breve conto infantil, mas resolvi escrever no gênero poesia. Os comentários são estímulos para que esse permaneça como poesia.

      Excluir