DE RADYR GONÇALVES

A FOTOGRAFIA DO DOMINGO E O TIMBRE DA VOZ  CALMA E EMBRIAGADA DE INEZITA BARROSO

A fotografia do domingo
É um sol de óculos ray-ban
Contando cavalos-marinhos
E bustos primaveris

A poesia caricia minha nuca
E o café esfria sonolento

Desbotadas imagens me acendem as lembranças
A dança do tempo
A nudez das eras
Corpo que entardece
E já imagina o fim...

A voz do domingo era de Inezita Barroso
Um chapéu caipira cobria minha tapera
Eu cantava moda de viola
E a vida não violava meus sonhos

A música dedilhava meu peito
Enquanto o mate fervia na xícara

Neste domingo em que me encontro preso
Um sabiá corrupto roubou o alpiste
Um anjo com um dedo em riste
Insiste em pregar um sermão repetido

Eu cá, com meus tormentos
Ouço a lírica canção dos ventos
Que nasce lá no Velho Chico
E chega aqui nos ouvidos da minha alma
Com o timbre daquela calma embriagada
De Inezita cantando a moda da pinga.


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