DA SÉRIE HOMENAGEM AO DIA DAS CRIANÇAS

Três poemas infantis... Nesta sessão com os Poetas RICARDO MORAIS, NASSARY LEE FERREIRA FONTES
INFÂNCIA 
RICARDO MORAES

Cria das divindades tempo e fases
Pressupõe-se por parcelas de idade
Mas isso não é de todo verdade
Muito menos mentira em parte
É para ser sinônimo de felicidade
Mas, por vezes, imerge em maldades
E, à este desencanto, lei ouve os prantos
Punição aos que se fingem de santos 
Infância é acalanto que nunca se vai 
Tudo que nela se faz, nos influencia demais
Ademais é nela que somos:
Moldados filósofos ou soldados
Motivados ou condicionados 
Abertos ou fechados 
Criaturas, criadores ou criados 
Somos, assim, à vida temperados 
Viva-a então por qualquer fração de tempo e espaço... 
  
                💐💐💐
  
FAXINA DA ALMA*
 NASSARY LEE           

Tudo o que eu quero é uma rajada de estrelas
liberadas da ampola de vidro.
Um gozo de luz
no céu precário de brilho.
Eu quero uma lona de balão pra me cobrir
sempre que a hélice atravessar a parede.
E entender que as moedas engarrafadas
não contabilizam meus sonhos nem sortes.
Eu quero um teto fluorescente
sem plano maluco de vid’algum
na desilusão dos planetas.
Apenas aquela luz, mas é querer demais,
e reconhecer nas rosas comuns a pétala-mor.
Ciente de que cada uma a possui.
Sou capaz de ver esse arranjo de pureza
sempre antes de você “crescer”
no meio das raposas-gatunas.
Das estrelas: quero as pontas; o rastro;
as cadências das partidas; as paradas...
E quero encadernar os desenhos que aviadores fazem
Tudo o que eu quero é uma coisa só!
E não me diga que é pedir muito querer voltar a ser criança.

*Inspirado na animação do filme O Pequeno Príncipe.

                 💐💐💐
  
QUANDO CRIANÇA:
 FERREIRA FONTES           
  
Vivíamos sem maldade
Nas ruas com liberdade
Alternando travessuras
Sem quaisquer censuras
Cantávamos quadrinhas
Saltetando amarelinhas
Livrando-nos de carretel
Passávamos logo o anel
Rápido,  de mão em mão
Arremessava bem o pião
Com maestria e plenitude
Jogava a bolinha de gude
Extravasando na queimada
Salvava logo minha amada
Tirando-a do fundo do poço
Serenamente: sem alvoroço
Esquivava da batata quente
Fugindo d'um mal frequente
Lá na frente daquela budega
Era bem grande o pega-pega.



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