ALUNOS

Um poema de CLAUDIA MANZOLILLO 

A sala vazia.
Entro, sento-me e
aguardo mais um dia
de trabalho.
Eis que chegam.
São tantos que
acorrem à memória
da professora,
agora apenas
uma lembrança
do que fora.
Eles entram e dão
bom-dia e sentam-se
em seus lugares.
A aula começa.
No quadro de giz,
a professora escreve
seu nome e lhes
diz sua missão:
ensinar-lhes algo
que já conhecem
e dominam
desde sempre
a língua portuguesa.
Mas a professora quer mais
e lhes diz que está ali
para lhes mostrar
a beleza das palavras combinadas,
a poesia no mundo,
a literatura na vida
e, se possível for,
dar-lhes a mão, a atenção e a amizade
para um ano inteiro de trabalho.
Assim era o primeiro dia de aula.
E assim o tempo me fazia
conhecer as pessoas
por trás dos números
da ficha de chamada.
Onde estarão tantos nomes
que passaram em minhas pautas?
De alguns eu sei o destino
e deles muito me orgulho.
Alunos,
rostos passam
e quase
os materializo,
sopram-me alguns nomes,
revejo-os em algumas passagens.
Onde estarão aqueles
que dividiram comigo
o trabalho honesto
e diário?
Sei de muitos,
o que me faz
feliz.
Creio que muitos
deles não dormiam
nas aulas,
mas sonhavam
e alcançaram seus sonhos.
Hoje me sinto um pouco
artífice desses homens
e mulheres,
alunos, alunas.
Meu pensamento
de amor a todos
com quem dividi
o amor à língua
portuguesa
e à literatura,
a arte da palavra.

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