ABSTRATO III • COTIDIANO

                                           De LILI RIBEIRO      

         O dia prometia muita tranquilidade. No comecinho dele uma preguiça gostosa embalada por um papo bem tranquilo no whatsApp. Mas tinha agenda marcada e não dava para continuar.
         Sem carro e sem grana para o Uber, a alternativa era o ônibus. Legal! Ando depressa. Achei que seria rápido. Ledo engano. Mudaram o transito por conta das obras e tive que caminhar por quase um quilometro. Não contava com o engarrafamento e sem alternativas não havia outro jeito a não ser, relaxar. Sentada no banco do cantinho, abracei minha bolsa e fiquei a olhar pela janela. Embarquei numa máquina do tempo e fui de volta para o passado. Estranho rever aquela moça bonita de cabelos castanho médio e ondulados na altura dos ombros sorrindo tanto. Um metro e sessenta e cinco, sessenta e três de cintura, noventa e oito de busto e quadril. Trajava calça jeans índigo, uma camisa branca e scarpin preto. Voltava feliz depois de almoçar com duas amigas em um dos restaurante próximo ao seu trabalho, na época, edifício Mayapan, o famoso “bolo de noiva” na Av Graça Aranha.  Pararam na faixa de pedestre. O sinal abriu. Despreocupada e sorridente atravessava a av com as amigas. De onde estavam dava pra ver um restaurante que ficava bem em frente ao sinal, com a maioria das mesas ocupadas, como era de costume, naquele horário. Um homem ainda bem jovem que ali almoçava levantou se e foi ao seu encontro. Ao ficar frente a moça, com um gesto de cavalheiro dos antigos saraus, ajoelhou-se diante dela como se a convidasse a dançar. Surpresa, olhou espantada. Mas ele não recuou. Levantou a mão direita em direção ao seu rosto e cantou alto e bom som, uma música que dizia assim; O teu corpo é luz, sedução, poema divino cheio de esplendor. Teu sorriso prende, inebria e entontece. És fascinação, amor. 
         O sinal abrira e apressados, os carros buzinavam todos de uma só vez enquanto as pessoas que passavam, aplaudiam e riam daquela cena de cinema no mínimo, inesperada. Com as bochechas vermelhas feito um caqui, seguiu meio sem jeito, Enquanto o rapaz voltava para o restaurante. Desde então...Um solavanco do ônibus e maluco cantando a música do seu Jorge; “a doida vazou, a doida vazou. Uau, que decepção o tempo passou de pressa demais. Já era hora de descer, havia chegando ao meu primeiro destino. O que aconteceu com os dois? Hahahah! Fica por conta da sua imaginação. 

Rio de Janeiro 10/10/2017

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