A VERVE DE NILSON VIEIRA MORENO

RAZÃO
por que que eu brigaria por razão
se desarrazoados são a lei?
eu, que já sou lesado, ficarei
pior caso me meta em confusão
enquanto nesta corte os bobos são
coroados, um príncipe, outro rei
se brado contra o bando inda serei
condenado à tortura e escravidão
melhor pro meu nariz deixar barato
"cachorro grande" dizem, vejo um rato
alimentado além do que convém
quem for mais cego é rei, percebo agora...
meu olho arrancarei, jogarei fora?
de medo e de preguiça eu digo amém!


DISPLICÊNCIAS

porque foram só mistérios sem enredo
que fizeram nada o pouco que restara
do carinho que acabava tão na cara
já cansada e mal dormida desde cedo


porque foram só silêncios, não histórias,
que fizeram gumes, cacos e demências
e não houve nada além de displicências
assanhando nossa verve acusatória


quando eu olho pro passado fico tenso
percebendo as rugas, rusgas dessas horas
nos espelhos, minha cara, quando penso


no suspenso, no não ser e nu lá fora
sinto dor, melancolia, um ódio imenso
do que foi, de como eu fui, do que é o agora.




RECADO

acontece que sei que seis leitores
visitam minhas páginas estranhas
e me perdoam linhas tão tacanhas
clichês, algum nonsense, os maus humores

e enxergam coisas boas nos meus textos
e embora eu pense (eu sei!) que não mereço
tal gentileza ajuda no processo
e o seu apreço é meu melhor pretexto

refaço então meus versos re-sentidos
como quem diz mentira ao pré do olvido
já que não crio há tempos nada inédito

e o blog assim não fica tão inerte
meu verso velho volta e se diverte
enquanto eu agradeço e gasto o crédito.

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