A PROSA/POÉTICA DE NASSARY LEE


A noite é um perfume negro, um impacto que se põe e marca.
O mar é uma garrafa violada, vazando mensagens na imensidão.
A lua, um poema branco, puro, longínquo, um quase Eu redondo, essa dúvida circular no infinito.
A música, um verso que me embala o coração.
A arte, um prego que me reverbera a mente.
Um beijo só... nada mais me faz sonhar tanto.
É assim que o teu pensamento encobre o meu corpo e durmo.
No meio desses verbetes paralelos.


Rogo que a chuva molhe minha boca na ausência da tua vez... As gotas o fazem, ouvem a mim, e recuperam em minha voz uma verdade de saber, sem sede alguma, quando é que se vêem vencidos de novo: lábios e "lágrimas" que partem do Céu...


Lua, toda noite eu chego em casa esperando te encontrar... E aí estás, distante, no meu encontro, tão bela... Quero a ti, Lua, cegando aos meus olhos: o teu branco no meu preto. Eu já nem sei o que brilha mais nesse encontro de avessas cores. Eu não me canso de te ver, já o sabes ? Espero agora ansiosa (apenas porque te tenho), nestes dias lunares, a tua partida; espero que te despeças de mim com a saudade corriqueira das despedidas de amor, somente para que eu tenha a chance de te esperar de novo... e de novo... e de novo... como em todas as noites. Eis a minha vigília! Podes partir, podes atracar no céu dessa varanda aberta e estarei sempre aqui à tua espera, Lua. O meu peito é um cais.


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