A POESIA DE QUIMAS SILVEIRA


Tenho vivido.
Se é que vida pode ser descrita
Através de minhas horas.
Um misto de renúncia à lucidez,
Uma agonia a toldar minha mente,
Um dissipar de qualquer razão,
Um assumir a sua natural insanidade.
Mas, tenho vivido
E por completo o que posso.
As pessoas andam nas calçadas
E as tenho observado.
Não são elas menos loucas,
Não são mais geniais
E mais esclarecidas do que eu mesmo.
São apenas outras pessoas
E não são eu mesmo.
Tem horas que me apavora
A lucidez que me traz
A loucura que me domina.
A cada instante descoberta
E um sem limite de turvação.
Já não tenho que ir a lugar nenhum,
A minha varanda no segundo andar
Já recebe bastante sol
E minha janela
É todo o horizonte
Que minha alma precisa.
Talvez não precise mais de versos,
Talvez não necessite
De todas as imprecisas falas.
Essas de modulações
De harmonias que já não sei.
Possa ser um findar
Com imensa calma,
O verso nunca iniciado,
Aquele jamais acabado,
A possibilidade e a renúncia.
O regurgitar a fome
Da total falta de apetite.
Ser a afirmação e a antítese.
O ser e o nada.
O passo, estrada
E o abismo em que me lanço.


S. Quimas
Fine artist, designer and writer.
SEO and social media Expert.


Um comentário:

  1. Poesia, amigo Quimas, viver de brisa
    A aragem fluida que nossa idade frisa.
    Te amo a ponto de bullying e mote!

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