SETE POEMAS

 A poesia de JAIR FRAGA

Você nasceu no ventre da minha verdade
No começo era um embrião
Não tinha braços
E nem pernas
Tinha o tamanho
De um grão
Depois veio braços
pernas, pés e mãos
E a plena convicção
De que você veio
E está
Sugando os seios da mãe
Pedindo o chão
Entre os sofás da vida
Calculando os passos
Premeditando os tombos
E inventando o breque
Que na sua idade
Não funciona
Com seu olhar você me checa
Já me aponta com as mãos
E corre
E corre pra longe
Rindo
Eu me escondo
E você acha
Não sei se é o cheiro
De fumaça
Só sei que a vida passa
Mas nada muda
Quando adulto
vivemos correndo
Se alguém esconde
Outro logo acha
Só queremos comer
Só queremos dormir
Até que a orelha caia
E os cabelos fiquem...


Pá levá joinha
Nesse Facebook
Tem que falá de amô
Tem que falá de dô
Dotô me disse agora
Pá tê atitude
Trocá chapér
Por um par de chifre

No mundo atuar
Isso é virtude
Plantarmos chifres
Pra colher berrantes...


Se Deus é o caminho
Ele é esquerda, direita e centro
porque é pai, é filho e espirito santo
um pintor exímio de ciências inigualáveis
um filosofo, um arquiteto, roteirista profissional
Ótimo diretor fotográfico
Se Deus é o caminho
Ele é a cortina que você instalou na sua casa
Para te proteger do sol
É o buraco que você cava
É a clave de sol
Se deus é o caminho e verdade
Você não precisa de igreja
Você só precisa de um espelho
Porque você é imagem e semelhança dele
Tem de fazer somente aquilo que te faz bem
Pra não ter receio depois de se olhar frente a frente
Se deus é o caminho, então não tem tempo pra guerra
Pois se os seus próximos são a imagem e semelhança dele
Eles são seus irmãos
Não é um bom costume maltratar os irmãos.


Se foi setembro e eu nem me lembro, de tudo que eu fiz e tal.
Se foi novembro, se foi dezembro, não sei o que será no final.
Janeiro está chegando e meu amigo, o calor é de matar
E a chuva deixará tudo verdinho para a vida salutar, soluça
Outono vem ai e as folhas vão secando, deixa cair
Que o sol fará florir quando se por em outra estação...



Nóis vai pá pápuda
nóis vai...
Comer mortadelas,
Nóis vai...
A carne é fraca,
Pois é
Tão fraca que me
corrompeu
E agora como dize
pá mulé
Que eu sou pior
Que o Geddel?


Em meados de setembro
Na rua dos bobos n 4
Um bobo recebeu uma visita

E disse:
Não tenho nada
Mas pode entrar

Tenho enormes vertentes
Que sustentariam quadros
Se paredes tivessem
Não tenho banheiros
Meus dejetos são artes

Se sentir sede
Que beba no vaso
No vaso eu plantei

Minha ignorância
Está brotando
Tão grande que eu
Não preciso de estante
Mas se quiseres
Olhar lá fora
Não precisa janelas
Pois delas não tem
Então nem pensar
Em usar um binóculos

Está tudo tão perto
No alcance de óculos
Vocês precisavam
Comprar microscópio
Pois tudo é pequeno
Feito micróbio

passando pela rua

* Homenagem a Vinicius de Morais


O amor é contraditório
É voar, estando de pés no chão
É paixão cincada com a razão
É preto no branco
Sim, mas também não

É entregar-se por inteiro
Permanecendo inteiro

É doar-se. É receber-se.
Odiar os defeitos, amando-os

O amor é febre que não queima
O amor é leve feito o aço
Sendo assim segue o rumo do vento
Alegremente descontente
Que amar é estar consciente
Que o amor é alto e é baixo

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