SAIBA DESCER O QUE SUBIR NÃO SOUBE

Um poema de OLAVO BILAC

Meus dias consumir de terra em terra,
em banquetes com reis todos os dias;
comigo a pança encheu também Tobias
na Alemanha, na França, na Inglaterra...

Oh! secretário que tão bem comias!
Não sejas mole: dente agudo ferra
na própria língua, que ainda agora encerra
o chorume daquelas iguarias!

Marinhas (1), meu nego, se tu visses
o que de bom nesta barriga coube,
é impossível que ao pranto resistisses.

Quando o Rio a Petrópolis me roube (2)
desça o trem com finas gulodices,
saiba descer o que subir não soube!

(1) - Conselheiro Marinhas, amigo íntimo do presidente Campos Sales
(2) - Crítica às frequentes viagens do Presidente Campos Sales a Petrópolis,

       durante o verão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário