ODEIO PERDER UM ORGASMO

Um texto de MARCINHA GIROLA
Vou escrever isso e sair correndo das redes sociais. Apertar todos os botões de saída de emergência. Usar a saída estratégica pela direita e pela esquerda. Tentar enganar e desviar a todos. Os homens. Que vão querer comentar e enviar mensagens para autodefesa. Bem sabemos que muitas mulheres fingem orgasmo. Que muitas ainda nem sabem como é ter um orgasmo. Que muitas mulheres sequer gostam de sexo. Que muitas mulheres demoram para gozar. Que outras muitas mulheres gozam rápido. Que muitas mulheres sequer chegam a um orgasmo. Não importa o quanto os homens tentem. Fatos! Às vezes os homens sabem. Às vezes não sabem. Identificar. Quando a mulher teve um orgasmo. Parece que os sinais são diferentes. Quem disse que o jeito e a intensidade do orgasmo é igual? Depende do quanto a mulher conhece o próprio corpo. Eu perdi várias oportunidades de ter orgasmos. Porque o homem gozava rápido. Porque o homem mudava a posição quando eu estava quase lá. Porque o homem dizia que precisava mijar. Porque o homem não sabia em que bolso da calça ou da blusa tinha guardado a camisinha. Porque o homem não tinha camisinha. E eu nunca as tenho mesmo. Vai que compro uma que fique apertada, ou frouxa, ou dê reação alérgica? O dono do pênis que se vire com a proteção que lhe cabe. Porque eu não sou adivinha. Tudo isso, mas o problema não está nos orgasmos não sentidos, fingidos, rápidos, demorados, únicos ou múltiplos. O que é insuportável mesmo, nem é culpa das mulheres. O trágico de um orgasmo é quando você não sabe se o homem já teve o dele. 
Escritora, comediante, professora, mãe,
revisora , editora e o restante
é um livro aberto (segundo ela)...
Quando o homem goza tão quieto, que você, apesar de já ter tido um, ou dois, querendo o terceiro, continua, mas, de repente, o cara sai de cima, ou de baixo, ou o pênis escapa, mole. Caramba. Esfriou? Ou já gozou? Não tem coisa pior do que ter de olhar para a camisinha e fazer uma verificação. E reparar que sim, hora de deitar do lado, jogar conversa fora, ouvi-lo roncar, até poder começar tudo de novo. Não tem coisa pior do que não ter um aviso do homem na hora em que ele está tendo ou vai ter o seu orgasmo: um gemido ou um "eu vou gozar". Qualquer coisa... Que indique, opa, então está na hora de eu ter o último dessa penetrada. Odeio perder orgasmos por não saber quando um homem goza.

5 comentários:

  1. Marcinha, você é das minhas. Uma mulher liberta. Você fala de sexo com com tanta naturalidade e com tanto prazer como se estivesse em pleno orgasmo. Se todas nós fazemos sexo porque não podemos falar sobre ele livremente como você fez. Fazer sexo pode, falar sobre ele não. Eu somente me senti livre para falar sobre sexo após meus 80 anos de idade. A idade me libertou. Eu fazia mas não falava, agora eu falo mas não faço.

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    1. Puxa, agradeço o comentário. Tenho 35. E já tem um tempinho que procuro abordar a sexualidade, o sexo, o erotismo, nos meus textos e poesias. E a intenção do texto é jogar conversa fora sobre coisas que as pessoas não costumam falar. Mulheres não falam sobre isso, com facilidade. E aos homens, bom, como utiliza-se muito nas redes sociais #ficaadica. rsrs

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  2. Levando em conta que falar de orgasmo feminino ainda é um tabu, o texto é meio engraçado, mas expõe a realidade dos fatos. Gostei muito. Parabéns!

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    1. Exato, Daisy. Orgasmo feminino ainda é um tabu. Porque as mulheres não crescem falando sobre seus corpos e sensações. Mas vamos abrindo caminho para que outras se manifestem com naturalidade, algum dia.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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